Tensões na Venezuela são ‘muito alarmantes’, diz ONU; 42 pessoas já morreram em protestos

Escritório da ONU saudou anúncio sobre investigação de mortes e pediu que inquéritos sobre uso excessivo da força sejam efetivos. Comunicado também criticou o julgamento de civis em tribunais militares e a recusa, por parte do governo, em permitir que o oposicionista Henrique Capriles – que se reuniria com o chefe de direitos humanos da ONU – deixe o país.

Manifestantes caminham rumo a Palácio da Justiça na Venezuela. Foto: WikiCommons / María Alejandra Mora (SoyMAM)

Manifestantes caminham rumo a Palácio da Justiça na Venezuela. Foto: WikiCommons / María Alejandra Mora (SoyMAM)

O Escritório de Direitos Humanos da ONU lamentou nessa sexta-feira (19) a perda contínua de vidas na Venezuela em meio à agitação política que vem ocorrendo no país latino-americano. Os últimos dados, fornecidos pela Procuradoria-Geral, dão conta de que 42 pessoas morreram até o dia 17 de maio.

“Saudamos o anúncio de que as mortes serão investigadas – e acreditamos que é importante que elas sejam devidamente investigadas. Há denúncias de uso excessivo da força por parte das forças de segurança, por isso ressaltamos a importância de que elas operem de acordo com os padrões internacionais de direitos humanos”, destacou o porta-voz do Escritório do Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH), Rupert Colville.

“Com relação aos relatos de violência por parte de grupos armados, cabe ao Estado proteger a população de grupos armados e a proliferação de armas”, acrescentou Rupert, que também pediu que os manifestantes promovam protestos pacíficos.

“Estamos muito preocupados com os relatos de que as pessoas detidas durante os protestos estão sendo levadas a tribunais militares. Os civis que participam em protestos não devem ser submetidos a tribunais militares. Se forem acusados legitimamente por algum tipo de crime, deveriam comparecer perante tribunais civis”, afirmou a nota.

O porta-voz do ACNUDH também comentou a questão de Henrique Capriles, que foi impedido de sair da Venezuela. “Podemos confirmar que ele se encontraria com o alto-comissário para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, em Nova York [na sexta 19]. Ao ouvir a notícia ontem [18] à noite, Zeid disse [no Twitter] que ele estava esperando ver Capriles na ONU em Nova York, e lamentou que ele não tinha sido capaz de viajar”.

O alto-comissário acrescentou que espera que o incidente “não seja uma represália ligada à reunião planejada com ele em Nova York”.

Zeid também tinha uma reunião marcada, em Nova York, com o advogado de Capriles. “Entendemos que ele deseja compartilhar um relatório que o próprio Capriles estava planejando apresentar ao alto-comissário”, disse Rupert.

A ONU afirmou ainda que considera as tensões crescentes na Venezuela “muito alarmantes”, e incidentes como o que envolvem Capriles “não são ajudam a reduzir as tensões”, concluiu o comunicado.