Arquivo da tag: Década Internacional de Afrodescendentes

Ao declarar a Década Internacional de Afrodescendentes (2015-2024), a comunidade internacional reconhece que os povos afrodescendentes representam um grupo distinto cujos direitos humanos precisam ser promovidos e protegidos. Cerca de 200 milhões de pessoas autoidentificadas como afrodescendentes vivem nas Américas. Muitos outros milhões vivem em outras partes do mundo, fora do continente africano. Confira abaixo notícias e visite o site oficial: http://decada-afro-onu.org

Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver, em 2015, em Brasília. Foto: PNUD/Tiago Zenero

ONU lembra lutas antirracistas e feministas no Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

Em 1992, grupos femininos negros de 32 países da América Latina e do Caribe se reuniram em Santo Domingo, na República Dominicana, para denunciar opressões e debater soluções na luta contra o racismo e o sexismo.

Esse encontro ficou marcado na história e foi reconhecido pela ONU como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e da Diáspora, celebrado em 25 de julho.

A pandemia evidenciou o racismo, a violência e as desigualdades que afetam principalmente as mulheres negras no Brasil. Foto: EBC/Marcelo Camargo

Mulheres negras agem para enfrentar racismo e garantir direitos em meio à pandemia

A pandemia de COVID-19 tornou evidente o racismo, a violência e as desigualdades que afetam principalmente as mulheres negras no Brasil. Diante desse cenário, é preciso colocar os direitos humanos no centro das soluções.

A afirmação é da assistente social Lúcia Xavier, coordenadora da organização Criola e integrante do Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planta 50-50 em 2030, da ONU Mulheres Brasil.

O Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030 é parceiro da ONU Mulheres no desenvolvimento de estratégia de comunicação e advocacy público para a priorização das mulheres negras na resposta do Brasil aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e à Década Internacional de Afrodescendentes.

Pandemia gera novos desafios para resposta da Agenda 2030 e da Década Internacional de Afrodescendentes às mulheres negras e à eliminação das desigualdades de gênero e raça no Brasil. Foto: ONU Mulheres/Mayara Varalho

Mulheres negras inovam em estratégias de apoio comunitário na resposta à COVID-19

A pandemia tem levado organizações e coletivos liderados por mulheres negras, país afora, a inovar nas estratégias políticas de enfrentamento do racismo e de apoio comunitário à população negra na resposta à COVID-19.

A mobilização envolve redes de costura solidária, agricultura familiar, trabalhadoras domésticas, marisqueiras, catadoras e mães de jovens negros assassinados. Leia reportagem da ONU Mulheres.

Foto: EBC/Marcelo Camargo

Quase 50 milhões de brasileiros dizem ter sofrido constrangimento em abordagem policial

Uma pesquisa inédita apresentada em webinário realizado na semana passada (8) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e parceiros mostrou que 49 milhões de brasileiros declararam já ter sofrido algum tipo de constrangimento durante abordagem policial.

A pesquisa também apontou que 64% dos homens negros das classes C, D e E já foram abordados pela polícia de modo agressivo e apenas 5% dos brasileiros consultados disseram acreditar que a polícia não é racista.

O webinário, promovido pela Central Única das Favelas (CUFA), Instituto Locomotiva e a UNESCO no Brasil, discutiu a violência nas periferias e abordou a atuação da polícia nas favelas. Esta e as edições anteriores da série “Fórum Data Favela” estão disponíveis no canal da UNESCO no YouTube.

Protestos têm ocorrido na cidade de Nova Iorque contra o racismo e a violência policial, após a morte de George Floyd. Foto: ONU/Evan Schneider

ONU produzirá relatório sobre relação entre racismo, violência policial e caso Floyd

Embora alguns delegados do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, tenham pedido na semana passada uma investigação internacional sobre os assassinatos de negros nos Estados Unidos e a violência contra manifestantes, outros sustentaram que o problema tem impacto em todas as nações e exigiram uma abordagem mais ampla.

De acordo com a versão final da resolução aprovada, a alta-comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, deverá preparar um relatório sobre racismo sistêmico, violações dos direitos humanos de africanos e pessoas de ascendência africana por órgãos policiais, especialmente aquelas que resultaram na morte do norte-americano George Floyd.

Segundo dados de 2014 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), negros e negras, o que inclui pardos e pretos, compõem 53,6% da população brasileira.

Nove em cada dez brasileiros dizem que negros têm mais chance de serem abordados de forma violenta pela polícia

O primeiro webinário Fórum Data Favela, com a organização da Central Única das Favelas (CUFA), do Instituto Locomotiva e da UNESCO no Brasil, apresentou na quarta-feira (17) dados inéditos da pesquisa “As Faces do Racismo”.

O levantamento aponta as desigualdades que os negros enfrentam para entrar no mercado de trabalho e para ter acesso e oportunidades de estudo. Também revela que nove em cada dez brasileiros reconhecem que pessoas negras têm mais chance de serem abordados de forma violenta pela polícia.

George Floyd morreu após ter o pescoço prensado por um policial branco nos EUA. Foto: ONU/Daniel Dickinson

Irmão de George Floyd pede ao Conselho de Direitos Humanos ação da ONU contra o racismo

O Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, ouviu na quarta-feira (17) um poderoso testemunho do irmão de George Floyd, um homem negro norte-americano cuja morte capturada em vídeo após asfixia por um policial branco em Mineápolis provocou protestos em todo o mundo.

Em um pedido gravado para que o Conselho estabeleça uma comissão internacional com o objetivo de investigar assassinatos de negros nos Estados Unidos e a violência contra manifestantes, Philonise Floyd instou a ONU a agir.

Um memorial improvisado para George Floyd no Harlem, em Nova Iorque. Foto: Hazel Plunkett

Grupo de 20 lideranças pede mais ações da ONU pelo fim do racismo no mundo

Um grupo de mais de 20 líderes da ONU, que se reportam diretamente ao secretário-geral António Guterres e são africanos ou de ascendência africana, assinaram uma declaração pessoal e contundente expressando indignação quanto ao racismo generalizado e sistêmico, destacando a necessidade de as Nações Unidas “irem além e fazerem mais” do que apenas manifestar repúdio.

Os líderes exortam a ONU a “intensificar e agir decisivamente para ajudar a acabar com o racismo sistêmico contra pessoas de ascendência africana e outros grupos minoritários”, citando o artigo 1 da Carta das Nações Unidas, que estipula que a ONU promove e incentiva o “respeito pelos direitos humanos e às liberdades fundamentais de todos, sem distinção de raça, sexo, idioma ou religião”.

UNICEF retoma campanha de prevenção ao racismo com foco em crianças e adolescentes

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) reativou a campanha “Por uma infância sem racismo” nos seus canais de mídias sociais. Baseada na ideia de ação em rede, a iniciativa reúne 10 ações ou comportamentos que cada pessoa pode adotar para assegurar o respeito e a igualdade étnica e racial desde os primeiros anos de vida.

Confira as 10 maneiras de contribuir para uma infância sem racismo.

Passageiros usam máscaras na estação Pinheiros, em São Paulo (SP). Foto: Agência Brasil/Rovena Rosa

ONU alerta para impacto desproporcional da COVID-19 sobre minorias raciais e étnicas

O impacto desproporcional da COVID-19 sobre minorias raciais e étnicas provavelmente resulta de múltiplos fatores relacionados à marginalização, discriminação e acesso à saúde, embora sejam necessárias mais informações para entender e resolver completamente a situação, segundo a alta-comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet.

“Os dados nos mostram um impacto devastador da COVID-19 sobre pessoas de ascendência africana, bem como minorias étnicas em alguns países, incluindo Brasil, França, Reino Unido e Estados Unidos”, disse Bachelet.

No estado de São Paulo, as pessoas negras têm 62% mais chances de morrer de COVID-19 do que as brancas. No departamento de Seine Saint-Denis, na França, também foi registrada alta mortalidade entre pessoas de minorias raciais e étnicas.

Os protestos estão ocorrendo em cidades dos Estados Unidos, inclusive na cidade de Nova York. Foto: ONU/Shirin Yaseen

ONU pede moderação e coesão social, enquanto continuam protestos nos EUA

Respondendo aos protestos em andamento que geraram violência de todos os lados em dezenas de cidades dos Estados Unidos, o porta-voz da ONU reiterou na segunda-feira (1) o apelo do secretário-geral para que as queixas sejam manifestadas de “maneira pacífica”, recebidas com moderação pelas forças policiais e de segurança.

A indignação começou depois que imagens de vídeo se tornaram virais nas mídias sociais no início da semana passada, mostrando um policial branco na cidade de Mineápolis ajoelhado no pescoço do afro-americano de 46 anos George Floyd por mais de oito minutos, durante os quais ele aparentemente ficou inconsciente, morrendo sob custódia policial.

João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, foi morto na segunda-feira (18), na comunidade do Complexo do Salgueiro. Foto: Arquivo Pessoal

Sistema ONU lamenta a morte do menino João Pedro e faz apelo pela vida da juventude negra

As agências do Sistema ONU se solidarizam com os familiares, amigas e amigos do estudante João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, morto na última segunda-feira (18), na comunidade do Complexo do Salgueiro, na cidade de São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro.

“Cada vida conta e a violência letal contra adolescentes e jovens não deve ser naturalizada, transformando-se em lamentável estatística.” Leia o comunicado completo.

Foto: ACNUR/Martim-Gray-Pereira

Equidade e igualdade racial devem orientar ação dos Estados na resposta à COVID-19

Especialistas em direitos humanos das Nações Unidas disseram em comunicado divulgado nesta segunda-feira (6) que a discriminação estrutural pode exacerbar a desigualdade no acesso a cuidados de saúde e tratamento para a COVID-19, levando a disparidades raciais nos resultados de saúde e aumento da mortalidade e morbidade entre afrodescendentes.

Um número desproporcional de pessoas de ascendência africana trabalha em indústrias de serviços, vive em comunidades densamente povoadas, enfrenta insegurança alimentar e falta d’água e muitas vezes não tem acesso a moradias seguras.

ONU: “Só avançaremos quando confrontarmos juntos o legado racista da escravidão”

ONU: ‘Só avançaremos quando confrontarmos juntos o legado racista da escravidão’

Em uma mensagem em vídeo, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, marca nesta semana o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão, lembrado anualmente a cada 25 de março.

Ele pediu que todos se manifestem contra todas as formas de racismo e manifestações de comportamento racista: “Precisamos, urgentemente, desmantelar as estruturas racistas e reformar as instituições racistas. Só avançaremos quando confrontarmos juntos o legado racista da escravidão.”

Combate ao racismo passa pela luta por propriedade, diz ativista brasileiro

Há 20 anos, o ativista brasileiro Damião Braga, 53, luta pelo direito dos afrodescendentes à propriedade de terras e imóveis na cidade do Rio de Janeiro.

Na ocasião do Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Pessoas Escravizadas, cujo foco deste ano é o combate ao racismo e à discriminação, Braga concedeu entrevista às Nações Unidas.

“Para nós, a titulação dos territórios quilombolas é uma forma de reparação, frente a tudo aquilo que foi a escravidão”, disse Braga. “O território não foi titulado justamente em função desse racismo estrutural”.

Jovens da ilha caribenha de Dominica. Foto: UNDPLAC

Racismo e xenofobia também são ‘assassinos contagiosos’, diz Bachelet

O surto de coronavírus pode ter forçado milhões ao redor do mundo a se “distanciar socialmente”, mantendo um metro de distância para impedir a propagação, mas isso não impedirá as pessoas de se unirem contra o racismo, declarou em Genebra nesta sexta-feira (13) a alta-comissária da ONU para os direitos humanos.

Michelle Bachelet dirigia-se ao Conselho de Direitos Humanos, cujos membros reuniram-se para para debater o progresso desde o lançamento da Década Internacional de Afrodescendentes, em 2014.

“Como a COVID-19, o racismo e a xenofobia são assassinos contagiosos”, disse ela. “No contexto atual, neste Conselho, precisamos nos unir e trabalhar pelo bem comum, mantendo distâncias físicas entre nós. Mas nossa convicção e nossa determinação em promover os direitos humanos são tão fortes quanto sempre foram.”

Evento foi coordenado pelo Fundo de População da ONU, em parceria com a Subsecretaria de Direitos Humanos e Igualdade Racial do DF. Foto: UNFPA Brasil

Seminário no DF discute relação entre racismo e desigualdades sociais no Brasil

Durante o seminário “Boas práticas em Direitos Humanos e Igualdade Racial”, que ocorreu na Casa da ONU, em Brasília (DF) no início de dezembro (9), o pesquisador Felipe Freitas, especialista em criminologia, racismo e violência pela Universidade Estadual de Feira de Santana foi incisivo ao lembrar que o racismo está no centro das desigualdades.

Cerca de 30 gestores e formuladores de políticas do Governo do Distrito Federal (GDF) participaram do seminário para debater igualdade racial e direitos humanos. A iniciativa, resultado de uma parceria entre o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e a Subsecretaria de Direitos Humanos e Igualdade Racial do Distrito Federal, teve a contribuição de profissionais renomados nas áreas.

Com o objetivo de fortalecer iniciativas de combate ao racismo e à desigualdade no país, PNUD prevê, para 2020, ações de fortalecimento ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Foto: PNUD Brasil | Tiago Zenero.

PNUD anuncia planos para fortalecer mecanismos de combate ao racismo no Brasil em 2020

Para o alcance efetivo da sua missão de apoiar os países a erradicar a pobreza (ODS 1) e a reduzir significativamente as desigualdades e a exclusão social (ODS 10), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) avalia ser imprescindível fortalecer iniciativas de combate ao racismo em nível nacional.

Para isso, implementa, desde 2015, um projeto de cooperação internacional com a Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SNPIR) do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH). A iniciativa busca viabilizar a elaboração de instrumentos e o aperfeiçoamento de mecanismos para a criação e o desenvolvimento de órgãos e conselhos voltados à promoção da igualdade racial no Brasil.

Segundo o PNUD, para 2020, o projeto buscará potencializar a implementação do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SINAPIR). Criado em 2010 pelo Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288), o SINAPIR é um mecanismo que conta, atualmente, com a adesão de 20 estados e 71 municípios do país e é responsável por implementar políticas e serviços destinados a superar as desigualdades raciais no Brasil.

Projeto em escola de Santa Maria (RS) resgata memória de personalidades negras como forma de empoderar e desenvolver a autoestima dos estudantes. Foto: UNFPA Brasil/Fabiane Guimarães

Alunos de escola pública de Santa Maria (RS) visitam Casa da ONU em Brasília

Jovens estudantes do Centro Educacional 310, de Santa Maria (RS), visitaram a Casa da ONU e o escritório do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em Brasília (DF) na semana passada para conhecer as instalações, o trabalho em direitos humanos e a campanha Vidas Negras.

Os dez alunos fazem parte do projeto “365 dias de Consciência Negra”, uma iniciativa criada pela escola para desenvolver a autoestima e o potencial dos estudantes afrodescendentes.

Evento de lavagem do Cais do Valongo, em 2015. Foto: Milton Guran

Em dia internacional, UNESCO lembra que luta contra escravidão é universal e contínua

Em mensagem para o Dia Internacional para Relembrar o Tráfico de Escravos e sua Abolição, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, disse honrar a memória de homens e mulheres que revoltaram-se no atual Haiti em 1791 e abriram caminho para o fim da escravidão. “Honramos a memória deles e a de todas as outras vítimas da escravidão, as quais eles representam”, declarou.

“A luta contra o tráfico e a escravidão é universal e contínua. É a razão pela qual a UNESCO liderou os esforços para lançar o Dia Internacional para Relembrar o Tráfico de Escravos e sua Abolição. Este dia especial reconhece a luta decisiva daqueles que, submetidos à negação de sua própria humanidade, triunfaram sobre o sistema escravista e afirmaram a natureza universal dos princípios da dignidade humana, liberdade e igualdade.”

Daiane dos Santos nos Jogos de Winnipeg, no Canadá, em julho de 1999. Foto: COB/Washington Alves

Em entrevista à ONU Mulheres, ginasta Daiane dos Santos fala sobre enfrentamento ao racismo

Em 1999, a ginasta Daiane dos Santos — na época, aos 16 anos — disputava os Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no Canadá. A competição lhe renderia suas primeiras medalhas na categoria sênior da ginástica artística: prata no salto e bronze por equipes.

Duas décadas depois, Daiane conversou com a ONU Mulheres Brasil sobre as conquistas nos esportes de alto rendimento e sobre o racismo enfrentado durante sua carreira.

“Posso dizer que sofri muito mais racismo no Brasil do que fora do país. Mais de 50% de nossa população é composta por pessoas que se autodeclaram negras, mas o preconceito ainda existe. Dizem que se trata de um preconceito velado, mas ele é bastante visível e cruel e, infelizmente, não recebe a punição que deveria.” Leia a entrevista completa.

Ana Lúcia Pereira recomenda aproximação dos ODS de lideranças do movimento de mulheres negras. Foto: ONU Mulheres/Mayara Varalho

Mulheres negras destacam papel dos objetivos globais na eliminação do racismo

As mulheres negras são 55,6 milhões de pessoas no Brasil. Representam 25% da população e compõem um dos grupos mais vulneráveis ao racismo, machismo e outras formas de discriminação. Os efeitos dessas desigualdades impedem que elas vivenciem direitos em todo o ciclo de vida, porque não acessam ou acessam pouco as oportunidades de desenvolvimento econômico, social e ambiental oferecidos à população brasileira.

Reconhecendo as mulheres negras como sujeitas de direitos e sujeitas políticas, a ONU Mulheres Brasil desenvolve, desde março de 2017, a estratégia de comunicação e advocacy Mulheres Negras Rumo a Um Planeta 50-50 em 2030 em parceria com organizações e entidades nacionais do movimento de mulheres negras para resposta às demandas da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver, ocorrida no ano de 2015.

Jurema Werneck é diretora executiva da Anistia Internacional. Foto: Anistia Internacional

Diretora da Anistia Internacional fala sobre conquistas e desafios da população negra no Brasil

Em entrevista ao Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) para ocasião do Dia Mundial da População (UNFPA), a diretora-executiva da Anistia Internacional, Jurema Werneck, fala sobre as conquistas e desafios da população negra no Brasil, em especial meninas e mulheres.

“Convivi com várias gerações de mulheres negras da minha família (bisavó, avós, mãe e tias, primas, sobrinhas). Nunca houve oportunidades, mas conquistas — e as gerações mais novas sempre usufruíram mais do que as anteriores. Entre todas, as mais novas e as mais velhas, sou a que teve acesso a mais espaços e possibilidades, a partir das conquistas feitas”, declarou. Leia a entrevista completa.

Embora sejam mais da metade da população brasileira, pessoas negras ainda têm dificuldades em acessar o mercado de trabalho no Brasil, o que piora significativamente no caso de mulheres negras. Foto: UNFPA

Evento discute desigualdades de gênero e raça no mercado de trabalho brasileiro

A desigualdade racial e de gênero persiste no mercado de trabalho brasileiro e é preciso agir para combater práticas que perpetuam a discriminação, informando e promovendo espaços empresariais mais inclusivos.

Esta foi uma das conclusões do debate realizado na quinta-feira (6) em Brasília (DF) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura no Brasil (UNESCO), em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a ONU Mulheres e a coordenação do Sistema ONU no país.

Segundo pesquisa do Instituto Ethos, pessoas negras ocupam apenas 6,3% dos cargos de gerência e 4,7% de cargos executivos em empresas brasileiras.

Grupo de Trabalho de Direitos Humanos promove treinamento de due dilligence para empresas. Foto: Rede Brasil do Pacto Global/Fellipe Abreu

UNESCO promove debate em Brasília (DF) sobre racismo no mercado de trabalho brasileiro

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasil, em parceria com ONU Mulheres, Organização Internacional do Trabalho (OIT), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e a coordenação do Sistema ONU no Brasil, realiza na quinta-feira (6) debate em Brasília (DF) sobre as dificuldades enfrentadas por negros e, especialmente, mulheres negras, no mercado de trabalho.

A desigualdade racial é uma realidade no mercado de trabalho brasileiro, embora pretos e pardos constituam mais da metade da população no país. O ambiente empresarial ainda tem grandes dificuldades para avançar no combate ao racismo, e o quadro se agrava ainda mais quando consideramos a situação das mulheres negras.

A Oficina de Consulta sobre o Cadastro de Agrupamentos Quilombolas na Base Territorial do Censo Demográfico 2020 ocorreu na Casa da ONU, em Brasília. Foto: UNFPA Brasil/Thais Rodrigues

Fundo de População da ONU apoia inclusão de quilombolas no Censo 2020

Incluir, pela primeira vez, a população tradicional quilombola no Censo está sendo um esforço do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que, esta semana (28 e 29), reuniu lideranças quilombolas, órgãos produtores de informações e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) na Oficina de Consulta sobre o Cadastro de Agrupamentos Quilombolas na Base Territorial do Censo Demográfico 2020. O evento aconteceu na Casa da ONU, em Brasília (DF).

Para o oficial de programa para população e desenvolvimento do UNFPA no Brasil, Vinícius Monteiro, a inclusão do quesito quilombola supera as dificuldades técnicas e mostra ser a chave para a aproximação com setores públicos. “A construção e utilização destes quesitos serão fundamentais para o desenvolvimento de políticas públicas com foco nestas populações, e para que a sociedade civil possa ter informações precisas para sua atuação”, ressaltou.

Foto: UNIC Rio/Arthur Bomfim

Centro da ONU promove cine-debate no Rio sobre consequências da escravidão

O Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) realizou na terça-feira (7) no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro, um cine-debate sobre a história do tráfico de pessoas escravizadas e as consequências da escravidão para a formação da sociedade brasileira.

Após a exibição do filme “1620-1789: Do Açúcar à Revolta”, um dos episódios da série documental “Rotas da Escravidão”, palestrantes convidados participaram de uma mesa e de uma rodada de perguntas do público de cerca de 120 pessoas.

“O objetivo do cine-debate é preservar a memória, os efeitos históricos do tráfico de pessoas escravizadas, e discutir as conexões entre escravidão, desigualdade racial, étnica e social que ainda existem na sociedade brasileira”, afirmou Rachel Quintiliano, oficial do Programa para Gênero, Raça e Comunicação do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). “Ou seja, olhar o passado e fazer uma conexão sobre o cenário atual.”

Empoderamento feminino foi pauta de encontro de jovens do Complexo do Alemão promovido pela ONU Mulheres no Rio de Janeiro (RJ). Foto: UNIC Rio/Kathlen Barbosa

ONU Mulheres debate racismo e empoderamento de meninas e mulheres com jovens do Complexo do Alemão

No Rio de Janeiro (RJ), a ONU Mulheres reuniu em Bonsucesso, zona norte da cidade, cerca de 20 jovens moradores do Complexo do Alemão para discutir o impacto da discriminação e do racismo no seu dia a dia.

Encontro neste mês (6) fez parte da campanha Vidas Negras das Nações Unidas, que visa conscientizar a população e o governo brasileiros sobre a violência contra a juventude afrodescendente. Evento também debateu meios de superar o preconceito e vulnerabilidades por meio do esporte e da cultura.

Lisiane Lemos é especialista de soluções da Microsoft e membro do Conselho Consultivo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Foto: Acervo Pessoal

Atuar pelo fim da discriminação racial é fundamental para efetivação de direitos, diz executiva

Para marcar Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, lembrado na quinta-feira (21), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) entrevistou a advogada e executiva gaúcha Lisiane Lemos. Considerada uma das pessoas negras mais influentes do mundo, ela é uma das principais ativistas brasileiras pelo fim do racismo no mundo corporativo.

Segundo pesquisa do Instituto Ethos, pessoas negras ocupam apenas 5% dos cargos executivos no Brasil. Homens negros correspondem a 4,6% desse percentual e mulheres negras, 0,7%.

Para Lisiane, há avanços recentes, mas permanece o desafio de levar profissionais seniores negros a cargos de liderança. “Na base, enquanto ‘trainee’, jovem aprendiz, as pessoas negras são uma porcentagem alta, mas quanto mais se sobe na pirâmide, mais baixo o percentual fica. Precisamos de mais vozes que deem visibilidade para inverter esses números”, declarou.

Debate sobre assédio sexual reuniu estudantes de escola pública em março na Pinacoteca, em São Paulo. Essa foi a primeira atividade da Agenda O Mundo que Queremos. Foto: Governo do Estado de São Paulo

Pacto Global lembra importância dos direitos humanos em série de eventos em São Paulo

O programa “O Mundo que Queremos”, da Rede Brasil do Pacto Global, foi encerrado este mês (10), dia de comemoração dos 70 anos da Declaração Universal de Direitos Humanos.

Sua agenda de atividades incluiu ao longo do ano discussões temáticas realizadas em São Paulo sobre racismo, diversidade LGBTI+ e comunidades indígenas, com o objetivo de incentivar a criação de políticas públicas e privadas nessas áreas. Saiba mais sobre os eventos realizados este ano.

Articulação Nacional de Negras Jovens Feministas (ANJF) realizaram reunião de articulação no início de outubro (6) em Ceilândia (DF). Foto: ANJF

Fundo de População da ONU apoia evento de jovens negras feministas no DF

Mulheres jovens negras da região Centro-Oeste e participantes da Articulação Nacional de Negras Jovens Feministas (ANJF) realizaram reunião de articulação no início do mês (6), em Ceilândia (DF). A atividade é parte do projeto “Ampliando Capacidades para a Defesa dos Direitos Humanos, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos de Adolescentes, Jovens e Mulheres Negras” e foi apoiada pelo Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA).

O objetivo foi promover a troca de saberes entre as jovens, além de dialogar sobre temas relacionados a governança, participação política juvenil, direitos humanos, direitos sexuais e direitos reprodutivos com vistas à promoção da igualdade racial e de gênero.

A ativista Maria Dalva da Silva, da Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência, apoia familiares de jovens assassinados a reconhecer seus direitos e exigir que sejam respeitados. Foto: UNFPA/Webert da Cruz

Campanha Vidas Negras promove cine debate sobre filme ‘Auto de Resistência’

O documentário “Auto de Resistência” conta histórias de violência policial contra jovens negros no Rio de Janeiro, assim como da busca de familiares por Justiça.

Debate ocorrido na Casa da ONU, em Brasília (DF), nesta semana (2), discutiu a obra com a presença de uma das diretoras, Natasha Neri, e da ativista Maria Dalva da Silva, da Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência.

“Auto de Resistência” dá rosto aos números da violência. As estatísticas indicam que, no Brasil, um jovem negro tem o triplo de chances de ser assassinado na comparação com um jovem branco. O filme também apresenta quem são as “vítimas ocultas” — mulheres negras, pobres, com pouco acesso à Justiça, muitas vezes em meio ao choque de um evento que mudará suas vidas para sempre.

ONU Mulheres lança websérie documental sobre participação política das mulheres no Brasil

Websérie documental #Brasil5050, da ONU Mulheres, revela opiniões de especialistas, ativistas e parlamentares sobre democracia paritária, incentivo às candidaturas de mulheres, responsabilidade de partidos políticos e do eleitorado brasileiro para voto consciente e caracterização da violência política.

O empoderamento político das mulheres é uma das condições para o aumento de sua liderança e participação política. Para ativistas e especialistas de gênero, para além da filiação de mulheres nos partidos políticos, é preciso incentivo às candidaturas durante o período de campanha eleitoral.

Artigo 4 da Declaração Universal dos Direitos Humanos: "Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas". Foto: Acervo Otávio Roth

UNESCO lembra necessidade de refletir sobre legado da história da escravidão

Para a ocasião do Dia Internacional da Lembrança do Tráfico de Escravos e de sua Abolição, 23 de agosto, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, falou sobre a necessidade de se aprofundar a reflexão sobre a história da escravidão no mundo de forma a combater preconceitos raciais e o racismo cotidiano contra pessoas de origem africana.

Mulheres negras usam tecnologia para enfrentar racismo

A campanha Vidas Negras da ONU Brasil conversou com três mulheres negras que enfrentam as desigualdades raciais usando ciência e tecnologia.

Lana de Souza trabalha numa plataforma que recebe vídeos registrando abusos de agentes do Estado. Juliana Marques, da Rede Umunna, participa de uma iniciativa criada para difundir informação quantitativa e qualitativa sobre a presença de mulheres negras em espaços de tomada de decisão. Silvana Bahia lidera um projeto cujo objetivo é estimular a entrada de mais mulheres negras nas diferentes áreas de tecnologia.