Sudão e Sudão do Sul começam a retirar tropas da fronteira, diz enviado da ONU

No início deste mês, os países assinaram um acordo relativo à criação e controle de uma zona de fronteira desmilitarizada segura, entre outras questões.

Oleoduto no Sudão do Sul. Foto: ONU/reprodução

Oleoduto no Sudão do Sul. Foto: ONU/reprodução

Os governos do Sudão e do Sudão do Sul começaram a retirar as suas tropas de uma zona de fronteira neutra, afirmou na sexta-feira (22) um enviado das Nações Unidas ao informar ao Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, sobre os últimos acordos entre os dois países vizinhos.

No início deste mês, os países assinaram um acordo relativo à criação de uma zona de fronteira desmilitarizada segura, a implantação de um mecanismo conjunto de verificação e o controle das fronteiras e da ativação de um acordo de mecanismos relacionados à segurança.

Durante uma reunião em Nova York, o Enviado Especial do Secretário-Geral para o Sudão e o Sudão do Sul, Haile Menkerios, disse a Ban Ki-moon que ambos os governos haviam instruído as companhias de petróleo a começar a produzir, transportar e exportar petróleo do Sudão do Sul pelo Sudão.

No encontro, o Secretário-Geral elogiou ambos os governos pela determinação de implementar os seus acordos e reafirmou a disposição da ONU de ajudar as partes neste esforço.

Ele também expressou sua esperança de que o progresso na implementação dos acordos de 27 de setembro – um documento de cooperação que trata de segurança, fronteira comum e relações econômicas assinado no ano passado – aumente a confiança entre as partes e prepare o caminho para resolver as poucas questões que continuam pendentes.

Ban Ki-moon também saudou a decisão do Governo do Sudão e do Movimento de Libertação do Povo do Sudão Norte (SPLM-Norte) de se encontrar para conversações diretas, acrescentando que esperava que o encontro leve ao fim imediato das hostilidades para permitir a entrega segura de assistência humanitária e criar um ambiente propício para discussões políticas, de modo a resolver as causas profundas do conflito.

Também na sexta-feira (22), o braço humanitário da ONU expressou preocupação com a segurança e proteção dos civis que são afetados pela violência entre as forças armadas governamentais e grupos armados não estatais no estado de Jonglei, no Sudão do Sul.

“Nossos parceiros humanitários afirmam que a recente violência que resultou em dezenas de feridos em Jonglei”, disse o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) em seu relatório mais recente sobre a situação no Sudão do Sul.