Sudão do Sul: ONU alerta para declínio ‘dramático’ na segurança alimentar

FAO alerta que 2,5 milhões de pessoas estão nos níveis de “crise” ou “emergência” em termos de insegurança alimentar. ONU lança apelo humanitário e intensifica ações no país.

Coordenadora humanitária da ONU, Valerie Amos, e o enviado da UNESCO para a Paz e a Reconciliação, Forest Whitaker, em conversa com a imprensa em Juba, Sudão do Sul. Foto: UNMISS/Isaac Gideon

Coordenadora humanitária da ONU, Valerie Amos, e o enviado da UNESCO para a Paz e a Reconciliação, Forest Whitaker, em conversa com a imprensa em Juba, Sudão do Sul. Foto: UNMISS/Isaac Gideon

O Sudão do Sul está à beira de uma grande crise de insegurança alimentar, com milhões de pessoas permanecendo sitiadas em meio às lutas internas em curso no país, alertou a FAO nesta sexta-feira (6).

“Ciclos de cultivo perdidos em partes do país devastado por conflitos significam que nós estamos esperando agora que os estoques de alimentos domésticos nos municípios mais afetados se esgotem até março de 2015, muito mais cedo do que em um ano normal”, disse a representante da FAO no Sudão do Sul, Sue Lautze, em um comunicado de imprensa sobre a resposta conjunta da ONU para o tema.

Uma série de altos funcionários das Nações Unidas estão visitando o país, incluindo a chefe humanitária da Organização, Valerie Amos, o secretário-geral assistente para os Direitos Humanos, Ivan Simonovic, e o renomado ator Forest Whitaker, enviado da UNESCO para a Paz e a Reconciliação.

De volta ao país pela primeira vez em mais de um ano, Amos disse que está “extremamente preocupada” com a situação humanitária. “Espero que ao estar aqui, particularmente com o Sr. Whitaker, possamos continuar chamando a atenção para o que está acontecendo com as pessoas, usando isso como uma forma de captar recursos para a ação humanitária urgente que temos de realizar este ano.”

“É muito cedo para dizer se as coisas vão ficar melhor este ano”, disse ela a jornalistas em Juba. “Estou um pouco desapontada que as conversações de paz ainda estejam em curso. Espero que seja resolvido em breve, porque é isso que vai fazer a maior diferença para o povo do Sudão do Sul.”

O relatório da FAO, que detalha os diferentes níveis de insegurança alimentar em toda a jovem nação africana, destaca a preocupação da ONU, observando que 2,5 milhões de pessoas – ou um quinto da população – foram classificadas como estando nos níveis de “crise” ou “emergência” de insegurança alimentar, enquanto um adicional de 3,9 milhões sofrem de insegurança alimentar.

A situação de segurança no Sudão do Sul se deteriorou desde que tiveram início os conflitos políticos internos entre o presidente Kiir e seu ex-vice, Mr. Machar, em meados de dezembro de 2013. As hostilidades posteriormente se transformaram em um conflito mais amplo, levando mais de 100 mil civis a fugir para bases das Nações Unidas em todo o país.

A frágil situação no país mobilizou todo o Sistema das Nações Unidas. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estão reforçando suas ações, como por exemplo o tratamento de alimentação terapêutica para quase 100 mil crianças severamente desnutridas em 2014. O objetivo das agências da ONU é chegar a 137 mil crianças menores de cinco anos em 2015.