Sudão do Sul: Em meio a tensões contínuas, ONU confirma volta à normalidade em local de proteção

Após susto com a invasão de grupo armado, situação no acampamento de refugiados da ONU normaliza. País passou por várias crises de violência recentes e já tem mais de 1 milhão desabrigados.

Acampamento próximo a Bentiu, no estado de Unity, Sudão do Sul. O local já tem mais de mais de 47 mil refugiados. Foto: OCHA

Acampamento próximo a Bentiu, no estado de Unity, Sudão do Sul. O local já tem mais de mais de 47 mil refugiados. Foto: OCHA

A ONU confirmou na quinta-feira (2) que a situação envolvendo tropas do Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA) e pessoas refugiadas em um acampamento da ONU no Sudão do Sul “voltou ao normal”.

De acordo com informações da Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS), aproximadamente doze soldados armados do SPLA invadiram o perímetro do acampamento Bentiu, no estado de Unity, onde mais de 47 mil pessoas estão refugiadas por conta da violência recente no país.

“Foi solicitado aos soldados para que não entrassem no campo, e eles não chegaram a entrar, mas a proximidade deles já gerou pânico entre os abrigados no local”, explicou o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, a repórteres em Nova York.

“Nenhuma arma foi disparada e a situação voltou ao normal algumas horas depois”, acrescentou.

Dujarric ressaltou que a UNMISS lembrou todas as partes envolvidas acerca da “inviolabilidade das instalações da ONU” e reafirmou a sua “determinação em defender a e proteger instalações civis e pessoais”.

O Sudão do Sul passou por várias crises de violência nos últimos meses, incluindo um incidente em que a base da ONU em Bentiu pegou fogo, resultando no ferimento de uma criança. Enquanto isso, um ataque prévio fez com que centenas de pessoas procurassem um abrigo no aeroporto mais próximo. Cerca de 340 civis se refugiaram com as tropas da UNMISS e depois foram escoltados para regiões seguras.

Lutas políticas internas entre o presidente Salva Kiir e seu ex-vice, Riek Machar, começaram em meados de dezembro de 2013 e, posteriormente, se transformaram em um conflito que resultou na fuga de 100 mil civis para bases da UNMISS em todo o país.

A crise já desabrigou cerca de 1,5 milhão de pessoas e colocou mais de 7 milhões em risco de fome e doenças.