Sudão do Sul: Dois milhões de civis fogem da violência sem previsão de retorno, diz ONU

“Os civis continuam suportando o impacto do conflito armado em curso, bem como o fracasso de seus líderes para parar a luta”, disse a vice-alta comissária da ONU para os direitos humanos.

“Os civis continuam suportando o impacto do conflito armado em curso, bem como o fracasso de seus líderes para parar a luta”, disse a vice-alta comissária da ONU para os direitos humanos.

Distribuição de alimentos para refugiados no estado do Alto Nilo, no Sudão do Sul. Foto: PMA/Ahnna Gudmunds

Distribuição de alimentos para refugiados no estado do Alto Nilo, no Sudão do Sul. Foto: PMA/Ahnna Gudmunds

Apesar de ter diminuído o número de violações de direitos humanos cometidas pelas partes envolvidas no conflito armado do Sudão do Sul, a agência da ONU para os direitos humanos (ACNUDH) informou, nesta quarta-feira (24), que o número de civis obrigados a fugir da violência já se aproxima dos 2 milhões e que não há probabilidade de que essas pessoas regressem às suas casas.

“Os civis continuam suportando o impacto do conflito armado em curso, bem como o fracasso de seus líderes para parar a luta”, disse a vice-alta comissária da ONU para os direitos humanos, Flavia Pansieri, em um painel de discussão do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre o Sudão do Sul, em Genebra.

Ela ressaltou que tanto o governo sul-sudanês como os líderes da oposição continuam a mobilizar forças e acumular armas tentando consolidar suas respectivas bases de poder.

Pansieri confirmou que desde dezembro de 2013 cerca de 1,5 milhão de pessoas ficaram deslocadas internamente no interior do país, e 400 mil pessoas se refugiaram nos países vizinhos – Quênia, Uganda, Etiópia e Sudão. Além disso, ela alertou que o país atravessa uma extrema insegurança alimentar, além de uma possível escassez de alimentos.

A vice-alta comissária recomendou que é preciso ser feito mais para proteger os civis e para assegurar que os autores sejam responsabilizados pelos crimes e violações dos direitos humanos no Sudão do Sul.

Ela também instou a comunidade internacional a pressionar os líderes do país para evitar novas violações por parte das forças sob o seu comando e enfatizar que, caso cometam crimes ou violações dos direitos humanos, serão presos e processados.