UNICEF: Um ano de conflito no Sudão do Sul provoca graves consequências nas crianças do país

Quase 750 mil crianças foram deslocadas internamente e 320 mil vivem como refugiadas. Aproximadamente, 400 mil são privadas do seu direito de educação e 12 mil são usadas tanto pelas forças do governo como por grupos armados do país.

Os irmãos Nguma Idris, 3 e Sabit Idris, 1, comfortam um ao outro depois de fugirem da violência no Alto Nilo. Foto: ACNUR/B. Sokol

Os irmãos Nguma Idris, 3 e Sabit Idris, 1, comfortam um ao outro depois de fugirem da violência no Alto Nilo. Foto: ACNUR/B. Sokol

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançou um alerta nesta sexta-feira (12) para a situação das crianças no Sudão do Sul. Segundo a agência da ONU, o futuro de uma geração inteira de meninos e meninas foi “roubado” durante o conflito,  que completará um ano na próxima segunda-feira (15), na nação mais jovem do mundo.

Desde a erupção da violência em dezembro de 2013, a infância sul-sudanesa se encontra submergida em um ambiente de violência, desnutrição e doenças. Quase 750 mil crianças foram deslocadas internamente e 320 mil vivem como refugiadas. Aproximadamente 400 mil são privadas do seu direito de educação, impossibilitadas de ir às aulas e 12 mil são usadas tanto pelas forças do governo como por grupos armados do país.

“O futuro das crianças do Sudão do Sul – e do próprio país – está sendo gravemente abalado pelas lutas contínuas. Continuaremos nossa enorme operação de socorro para milhares de crianças, mas o que elas realmente precisam mais do que nada é da paz”, disse o representante do UNICEF no Sudão do Sul, Jonathan Veitch.

O representante mencionou que as agências da ONU estão aproveitando o final da temporada de chuvas para poder fortalecer sua resposta de emergência nos estados mais impactados pela violência – Jonglei, Unity e Alto Nilo. No entanto, advertiu que se as disputas se intensificarem, como muitos acreditam, provocarão novas ondas de deslocamentos e aumentarão a vulnerabilidade das crianças.

Junto com o Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA), o UNICEF contribuiu para evitar a fome no país em 2014. Mesmo assim, 80 mil crianças foram admitidas para tratamento por desnutrição aguda e o agravamento do conflito pode causar um impacto ainda mais devastador na segurança alimentar do Sudão do Sul.

Para financiar suas atividades no país em 2015, o UNICEF precisa arrecadar 166 milhões de dólares.