Suazilândia se inspira no Brasil para combater a fome e estimular agricultura familiar

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Em visita ao Brasil na semana passada, uma delegação de ministros e gestores da Suazilândia conheceu iniciativas brasileiras de combate à fome e de fomento da agricultura familiar. País africano quer se inspirar em modelos da nação sul-americana para melhorar programas como o de alimentação escolar. Atualmente, o governo suazilandês fornece refeições em 841 escolas públicas, beneficiando cerca de 340 mil crianças.

Delegação suazi em visita a escola rural perto de Brasília. Foto: PMA/Sophia Andreazza

Delegação suazi em visita a escola rural perto de Brasília. Foto: PMA/Sophia Andreazza

Em visita ao Brasil na semana passada, uma delegação de ministros e gestores da Suazilândia conheceu iniciativas brasileiras de combate à fome e de fomento da agricultura familiar. País africano quer se inspirar em modelos da nação sul-americana para melhorar programas como o de alimentação escolar. Atualmente, o governo suazilandês fornece refeições em 841 escolas públicas, beneficiando cerca de 340 mil crianças.

“Nós acreditamos que toda criança deve ser alimentada. Sem nada no estômago, as crianças não conseguem aprender”, defendeu o ministro da Educação da Suazilândia, Phineas Langa Magagula, na cerimônia que marcou o início da missão da delegação em território brasileiro. Evento aconteceu em Brasília, no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). A delegação suazi ficou no Brasil do dia 31 de julho a 4 de agosto.

No país africano, o projeto de alimentação escolar tem, por objetivo principal, dar aos alunos uma refeição quente e nutritiva todos os dias letivos. O programa é implementado em parceria com o Ministério da Agricultura, para garantir que agricultores locais produzam os alimentos que abastecem as escolas, o que traz benefícios aos agricultores familiares e às crianças, que têm acesso a alimentos frescos.

Rogério Lot, chefe de gabinete do FNDE, enfatizou o retorno econômico dos investimentos em alimentação escolar. “O dinheiro desembolsado pelo governo federal para a alimentação escolar é investido nas comunidades e gera crescimento econômico”, disse.

Nas reuniões com o Fundo brasileiro, a delegação suazi teve a chance de entender como a alimentação escolar é estruturada, como são distribuídos os papéis e responsabilidades de cada instituição envolvida em sua implementação, os mecanismos de financiamento e o conjunto de normas sobre os aspectos nutricionais e educacionais do programa.

Representantes da Suazilândia também discutiram com gestores do governo brasileiro as políticas públicas existentes no Brasil para apoiar os agricultores familiares, impulsionar a produção de alimentos em pequena escala e organizar a cadeia de abastecimento.

Com o Ministério da Saúde do Brasil, os visitantes entenderam o papel da pasta no acompanhamento das condicionalidades dos programas sociais, como o programa de transferência de renda — o Bolsa Família —, o Sistema Único de Saúde (SUS), as políticas de nutrição e as estratégias brasileiras para superar a epidemia de HIV/AIDS. A delegação suazi ficou no Brasil do dia 31 de julho a 4 de agosto.

Visitas de campo

Para ver em primeira mão a integração de todas as políticas discutidas nas reuniões técnicas, a delegação realizou três viagens de campo. Primeiro, visitaram uma escola rural, uma cooperativa de agricultores familiares e uma pequena propriedade próxima a Brasília.

Eles viram, do ponto de vista do agricultor, como o programa de alimentação escolar é organizado. Outro destaque foram os desdobramentos concretos da alocação de 30% do orçamento do programa para a compra de alimentos produzidos por agricultores familiares.

No dia seguinte, visitaram uma escola pública urbana que também se beneficia dos alimentos frescos cultivados por esses produtores. Eles foram ao banco de alimentos público, que compra comida de agricultores familiares e a distribui para instituições de assistência social. Os enviados suazis também visitaram a Central de Abastecimento (CEASA) do Distrito Federal.

No último dia, os representantes da Suazilândia visitaram o Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), que funciona como uma porta de entrada para as populações vulneráveis à assistência social no Brasil. Depois, a delegação almoçou em um restaurante comunitário, que também faz parte da estratégia do Brasil para combater a fome.

Os restaurantes populares estão localizados em áreas com altas taxas de insegurança alimentar e servem refeições nutritivas diariamente, a preços muito baixos.


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