Somália: ONU condena ataque contra hotel em Mogadíscio

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A ONU condenou o ataque suicida contra o Hotel Dayax, em Mogadíscio, na Somália, promovido pelo grupo armado Al-Shabaab. O incidente resultou na morte de dezenas de civis e soldados somalis, deixando vários feridos.

Recentemente, secretário-geral da ONU, António Guterres, lançou novo relatório detalhando as graves violações impunes cometidas contra crianças durante anos de conflito armado no país.

Refugiados da Somália que vivem no campo de Dadaab, no Quênia, participarão de capacitação desenvolvida pela ONU antes de regressar ao país de origem. Foto: OCHA

Refugiados somalis em campo de Dadaab, no Quênia. Foto: OCHA

A ONU condenou na quarta-feira (25) o ataque suicida contra o Hotel Dayax, em Mogadíscio, na Somália, promovido pelo grupo armado Al-Shabaab. O incidente resultou na morte de dezenas de civis e soldados somalis, deixando vários feridos.

De acordo com o porta-voz da Missão de Assistência das Nações Unidas na Somália (UNSOM), Joseph Contreras, o atentado fornece novas evidências das tentativas desesperadas dos extremistas de inviabilizar o processo eleitoral do país.

“Os últimos números que recebemos variam entre 15 e 20 mortos, alguns dos quais eram os próprios terroristas, e alguns soldados somalis”, continuou Contreras, acrescentando que entre as vítimas havia pelo menos cinco jornalistas.

O hotel atingido está localizado próximo ao palácio presidencial e é frequentemente visitado por legisladores na capital.

ONU lança pacote de ajuda humanitária

A comunidade humanitária na Somália lançou um pacote de 864 milhões de dólares para ajudar 3,9 milhões de pessoas em necessidade urgente de assistência no país, informou as Nações Unidas na semana passada (17).

“O suporte imediato é necessário para evitar a deterioração significativa da situação humanitária”, disse o coordenador humanitário da ONU no país, Peter de Clercq.

De acordo com dados da ONU, cerca de 5 milhões de pessoas na Somália precisam de ajuda e aproximadamente 3,3 milhões não têm acesso a serviços de emergência e precisam de maior disponibilidade de água, saneamento e produtos de higiene.

A situação das crianças também é especialmente preocupante, com cerca de 320 mil menores de 5 anos em insegurança alimentar aguda e em necessidade de apoio nutricional urgente. Desse contingente, 50 mil crianças estão seriamente desnutridas e mais vulneráveis que qualquer outro grupo do país.

Além disso, cerca de 3 milhões de menores em idade escolar estão fora do sistema educacional, e há 1,1 milhão de pessoas deslocadas internamente em necessidade de proteção.

Novo relatório detalha impactos do conflito armado

Na semana passada (17), o secretário-geral da ONU, António Guterres, lançou novo relatório que detalha as graves violações impunes cometidas contra crianças durante anos de conflito armado no país.

De acordo com o documento, que abrange o período de abril de 2010 a julho de 2016, o recrutamento e a utilização de crianças pelos grupos armados e pelo Exército Nacional da Somália continuou sendo uma grande preocupação, com mais de 6 mil casos verificados, sendo 70% cometidos por Al-Shabaab.

A detenção de crianças por parte das forças de segurança nacional foi outra preocupação grave. A ONU verificou a prisão de pelo menos 931 crianças entre 2014 e julho de 2016.

Ainda de acordo com o relatório, mais de 3.400 crianças foram mortas no período observado, com a maioria das fatalidades ocorrendo em meio ao fogo cruzado.

O secretário-geral expressou profunda preocupação pelo número “inaceitavelmente elevado” de crianças mortas, e pediu que os autores desses crimes sejam levados à Justiça.

“Peço a todas as partes em conflito que respeitem as suas obrigações no âmbito do direito internacional e solicito a AMISOM e à União Africana que investiguem todos os relatos de violações graves contra as crianças por parte das suas tropas, bem como garantam a responsabilidade pelos perpetradores”, acrescentou.


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