Somália: ONU alerta sobre escassez de alimentos e desnutrição devido à seca e aos conflitos internos

Cerca de 203 mil crianças menores de cinco anos estão com desnutrição aguda, enquanto outras 2,9 milhões de pessoas precisam urgentemente de assistência humanitária no país.

A insegurança alimentar se agrava e a seca contribui para a fome na Somália. Foto: FAO

A insegurança alimentar se agrava e a seca contribui para a fome na Somália. Foto: FAO

“A situação de escassez de alimentos na Somália está se deteriorando rapidamente”, alertou o especialista independente da ONU sobre os direitos humanos na Somália, Bahame Tom Nyanduga, a comunidade internacional nesta sexta-feira (08). Ele destacou que cerca de 203 mil crianças menores de cinco anos estão com desnutrição aguda, enquanto outras 2,9 milhões de pessoas precisam urgentemente de assistência humanitária.

“Um conflito em curso, a redução das chuvas habituais nas regiões agrícolas do país, o crescimento dos preços dos alimentos e o acesso limitado das agências humanitárias para prestar assistência urgente e necessária em algumas partes do país devido aos conflitos, estão levando a Somália para um situação de insegurança alimentar e desnutrição preocupante”, disse Nyanduga. “O mundo precisa agir agora”, acrescentou.

Na ocasião ele destacou que até o momento, a Somália só recebeu 29% do financiamento solicitado pelo Plano de Resposta Estratégica para o país, o que equivale a cerca de 270 milhões de dólares dos 993 milhões solicitados. Ele exortou a comunidade internacional para contribuir com mais fundos para assim evitar uma catástrofe humanitária.

A Organização da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO) também alertou que a situação de segurança alimentar na Somália deve se deteriorar nos próximos meses devido à queda da produção agrícola resultante da redução das chuvas sazonais. O governo da Somália já declarou seca em sete regiões e avisa que, se não forem tomadas medidas urgentes, haverá uma repetição da crise de fome ocorrida em 2011, quando mais de 250 mil pessoas morreram, sendo metade delas crianças.

A Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) na Somália também informou que no momento há aproximadamente 1,1 milhão de deslocados internos no país.