Somália: Nações Unidas pedem suspensão imediata de utilização de crianças-soldado

ONU pede suspensão imediata do recrutamento e uso de crianças-soldado na Somália, onde a prática é crescente e afeta crianças de até nove anos de idade. Relatórios recentes indicam que as escolas estão sendo utilizadas como centros de recrutamento e que as crianças-soldado são frequentemente espancadas ou executados quando capturadas.

As Nações Unidas pediram esta semana a suspensão imediata do recrutamento e uso de crianças-soldado na Somália, onde a prática é crescente e afeta crianças de até nove anos de idade. “Ficamos chocados ao saber que o recrutamento e uso de crianças como soldados por grupos armados na Somália está aumentando”, afirmaram a Representante Especial do Secretário-Geral para Crianças e Conflitos Armados, Radhika Coomaraswamy, e o Diretor Executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Anthony Lake,em declaração conjunta. “Todas as partes do conflito estão envolvidas. Em alguns casos crianças e jovens de até nove anos de idade estão sendo recrutados”.

Relatórios recentes indicam que as escolas estão sendo utilizadas como centros de recrutamento e que as crianças-soldado são frequentemente espancadas ou executados quando capturadas. “O uso de crianças por forças e grupos armados é um crime de guerra. É preciso parar imediatamente”, afirmaram os representantes, que instaram todas as partes a libertar as crianças e garantir que os responsáveis sejam levados à justiça.

Conselho de Segurança debateu a situação da Somália no dia 27 de abril deste ano. Em janeiro, o Conselho adotou por unanimidade a resolução 1910, autorizando a União Africana a manter sua Missão no país até 31 de janeiro de 2011. Foto: UN/Evan Schneider.

Conselho de Segurança debateu a situação da Somália no dia 27 de abril deste ano. Em janeiro, o Conselho adotou por unanimidade a resolução 1910, autorizando a União Africana a manter sua Missão no país até 31 de janeiro de 2011. Foto: UN/Evan Schneider.

A Somália continua a ser atingida por combates entre as forças governamentais e rebeldes islâmicos. A região do Chifre da África, como é conhecida a península somali, continua abrigando uma das piores crises humanitárias do mundo, com 1,4 milhão de pessoas internamente deslocadas (IDPs), cerca de 570 mil refugiados e cerca de três milhões de pessoas dependentes da ajuda humanitária. “O uso de crianças como soldados é uma tragédia para a Somália no presente. A menos que sejam tomadas medidas urgentes, também pode ameaçar a estabilidade futura do país”, alertaram. “As crianças e os jovens são a maioria da população somali e merecem uma infância livre do terror do conflito armado”.

Eles manifestaram a disposição e prontidão em ajudar na recuperação dos direitos das crianças somalis e reintegração em suas comunidades. “Apelamos também à comunidade internacional – principalmente aqueles que apoiam as partes em conflito – que condene e use sua influência para pôr um fim a esta prática”.


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