Solução de dois Estados no conflito Israel-Palestina está em perigo, diz relatório das Nações Unidas

Demolição de residências palestinas por Israel mais do que dobrou nos últimos seis meses na comparação com o período anterior, enquanto o total de demolições em meados de abril já excedeu o total do ano passado, segundo relatório do Escritório do Coordenador Especial das Nações Unidas para o Processo de Paz no Oriente Médio (UNSCO).

Menino palestino e soldado israelense diante do Muro da Cisjordânia. Foto: Wikicommons/Justin McIntosh (CC)

Menino palestino e soldado israelense diante do Muro da Cisjordânia. Foto: Wikicommons/Justin McIntosh (CC)

A viabilidade de uma solução de dois Estados, que visa à coexistência pacífica de Israel e Palestina, está em perigo devido à crescente violência, ao avanço de assentamentos israelenses, demolições, provocações e ausência de uma unidade palestina, disse um relatório da ONU divulgado na quinta-feira (14).

O relatório, publicado pelo Escritório do Coordenador Especial das Nações Unidas para o Processo de Paz no Oriente Médio (UNSCO), mostrou um aumento dos assentamentos israelenses e uma maior consolidação do controle de Israel sobre a Cisjordânia.

O documento também declarou que a demolição de residências palestinas mais do que dobrou nos últimos seis meses na comparação com os seis meses anteriores, completando que o total de demolições em meados de abril já excedeu o total do ano passado. O texto também expressou preocupação com o acesso palestino a terras e fontes naturais na “Área C” da Cisjordânia, entre outros acontecimentos.

O relatório notou ainda que, apesar da continuidade das discussões de reconciliação em fevereiro e março entre Fatah, Hamas e outras facções palestinas no Qatar, nenhum consenso foi atingido no sentido de se chegar a uma unidade palestina genuína.

“A formação de um governo de unidade nacional e a realização de eleições são vitais para estabelecer as fundações do futuro Estado da Palestina”, disse o relatório.

Crise humanitária e violação dos direitos humanos

Citando uma prolongada crise humanitária nos territórios palestinos ocupados, o relatório afirmou que “cerca de 1,1 milhão de pessoas na Cisjordânia e cerca de 1,3 milhão na Faixa de Gaza, mais de 900 mil delas refugiadas, precisam de alguma forma de assistência humanitária em 2016”.

O documento destacou que a situação de direitos humanos deteriorou-se com um dramático aumento dos confrontos entre palestinos e membros das forças de segurança israelenses na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, aumento dos casos de medidas punitivas contra famílias de supostos perpetuadores de ataques e prisões administrativas.

Em relação à Faixa de Gaza, o relatório declarou que houve progresso na reconstrução do enclave, e que mais de 90% das unidades de saúde e educação danificadas ou destruídas durante o conflito de 2014 foram reparadas, mas que as barreiras estruturais continuam a impedir uma recuperação.

O documento acrescentou que, apesar de o temporário Mecanismo de Reconstrução de Gaza ter permitido um aumento significativo da entrada de material de construção no enclave, apenas o levantamento do bloqueio permitirá à população reconstruir suas vidas e seus meios de subsistência. O texto também citou a falta de energia e água em Gaza como um elemento urgente e crônico.

O relatório será apresentado em reunião bianual de comitê que ocorre em Bruxelas em 19 de abril.