Solução de dois Estados é mais importante do que nunca no Oriente Médio, diz secretário-geral da ONU

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O consenso internacional sobre uma solução de dois Estados para acabar com o conflito entre Israel e Palestina pode erodir “em um momento em que é mais importante do que nunca”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, nesta terça-feira (6), chamando a “questão palestina” de um dos temas não resolvidos há mais tempo na agenda das Nações Unidas.

Após décadas, “a convergência e o consenso global podem estar ruindo, tornando a ação conjunta mais difícil”, enfatizou Guterres, lembrando que a expansão ilegal de assentamentos na Cisjordânia ocupada é “um importante obstáculo para a paz” que precisa ser “interrompida e revertida”.

Refugiados da Palestina em abrigos temporários construídos pela UNRWA. Foto: UNRWA/Taghrid Mohammad

Refugiados da Palestina em abrigos temporários construídos pela UNRWA. Foto: UNRWA/Taghrid Mohammad

O consenso internacional sobre uma solução de dois Estados para acabar com o conflito entre Israel e Palestina pode erodir “em um momento em que é mais importante do que nunca”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, nesta terça-feira (6), chamando a “questão palestina” de um dos temas não resolvidos há mais tempo na agenda das Nações Unidas.

“Precisamos enfrentar a difícil realidade atual”, disse Guterres na abertura da sessão de 2018 do Comitê para o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestino, criado pela Assembleia Geral da ONU em 1975 para buscar o fim da ocupação israelense e garantir a conquista de uma solução de dois Estados para o conflito no Oriente Médio.

“Tendências negativas têm o potencial de criar uma irreversível realidade de um Estado que é incompatível com a realização das aspirações nacionais legítimas, históricas e democráticas tanto de israelenses como de palestinos”, acrescentou.

Após décadas, “a convergência e o consenso global podem estar ruindo, tornando a ação conjunta mais difícil”, enfatizou Guterres, lembrando que a expansão ilegal de assentamentos na Cisjordânia ocupada é “um importante obstáculo para a paz” que precisa ser “interrompida e revertida”.

Além disso, a situação econômica e humanitária de Gaza permanece grave. Segundo projeções de agências da ONU nos territórios ocupados, a menos que ações concretas sejam tomadas para melhorar os serviços básicos e a infraestrutura, o enclave palestino se tornará inviável até 2020.

“Gaza permanece esmagada por bloqueios incapacitantes e um estado de constante emergência humanitária”, enquanto 2 milhões de palestinos enfrentam diariamente crises de eletricidade, desemprego crônico e uma economia paralisada — em meio a um desastre ambiental em andamento.

O mais novo corte de recursos para a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) prejudicará ainda mais os serviços críticos e ameaçará segurança, direitos e dignidade de 5 milhões de refugiados palestinos no Oriente Médio.

“Apelo à generosidade da comunidade internacional para não deixar isso ocorrer”, disse Guterres, acrescentando que “a reconciliação é um passo-chave para atingir o objetivo maior de um Estado palestino e de uma paz duradoura”.

Ele reiterou seu compromisso em apoiar os esforços das partes rumo a uma solução de dois Estados. “Uma solução de dois Estados é a única forma de garantir os direitos inalienáveis do povo palestino e uma solução sustentável para o conflito”, concluiu o secretário-geral da ONU.


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