Sociedade civil organizada pode ser protagonista das políticas públicas no campo

“Rotas de Experiências” capacitou organizações sociais da Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Chile sobre desenvolvimento rural e acesso a recursos naturais.

Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO)“Rotas de Experiências” capacitou organizações sociais da Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Chile sobre desenvolvimento rural e acesso a recursos naturais.

Santiago do Chile – Atualmente, o mundo requer organizações sociais capacitadas, fortes e com protagonismo na criação e implementação das políticas de desenvolvimento rural, segundo análise realizada nesta quarta-feira (20/7) na Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

O projeto Rotas de Experiências reuniu nove organizações sociais do âmbito rural, de Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Chile. O objetivo foi trocar experiências e capacitar sobre mecanismos bem-sucedidos para abordar a problemática do acesso à terra e aos recursos naturais, a reforma agrária e o desenvolvimento rural.

O mundo rural na América Latina e, particularmente, a pequena agricultura desempenham um papel-chave na produção de alimentos e na segurança alimentar de toda a região. Sendo assim, é fundamental promover o conhecimento e as capacidades das organizações da sociedade civil, que congregam os pequenos produtores e assalariados do campo.

“As políticas públicas orientadas a potencializar o mundo rural devem ser construídas em conjunto com as organizações de pequenos produtores, agricultores familiares e assalariados, entre outros”, diz José Graziano da Silva, Representante Regional da FAO.

Graziano destaca a importância de que as organizações rurais e a sociedade civil organizada estejam preparadas para enfrentar os desafios, que representam o novo papel a ser cumprido no desenvolvimento rural e na agricultura do século XXI.

Rotas de aprendizagem

As ‘Rotas de Experiências’ são parte das atividades realizadas pela FAO para revitalizar as comunidades rurais na América do Sul.

A iniciativa reuniu dirigentes de organizações sociais, os quais visitaram as experiências bem-sucedidas de FEMUCARINAP, no Peru, e BARTOLINA SISA, na Bolívia, ambas na Rota Andina; além de Mocase, Banquineros, Conamura, Semilla Roga, ASAGRAPA e Saupa, na Rota MERCOSUL, que percorreu a Argentina, Paraguai e Uruguai.

“A Rota nos permitiu conhecer experiências produtivas de comercialização, formalização no uso de terras e reforma agrária, as quais apostam na construção da soberania alimentar”, diz Florencia Wierzba, do Movimiento Campesino de Santiago del Estero (MOCASE), na Argentina.

Dessa forma, os dirigentes participantes das Rotas obtiveram conhecimentos sobre a forma, em que outras organizações, semelhantes às deles, enfrentam temáticas como a propriedade e o uso da terra, a administração sustentável dos recursos naturais; além de conhecer formas de dialogar com os tomadores de decisões para criar políticas específicas, a partir das demandas do mundo rural.

As Rotas de Experiência foram recorridas por 90 dirigentes de organizações da sociedade civil. “O apoio da FAO é importante para nos ajudar a criar políticas públicas mais apropriadas ao desenvolvimento rural dos países”, diz Tomás Zayas, dirigente da Associação de Agricultores do Alto Paraná, no Paraguai (ASAGRAPA).

No final do caminho percorrido, as organizações foram fortalecidas por meio de alianças, que conectam diversas organizações, criando ferramentas para enfrentar e propor soluções a favor da segurança alimentar. “Ao finalizar a Rota, nos sentimos fortalecidos. Construímos processos, do local ao regional, em uma rota comunicadora e mobilizadora”, diz Francisca Rodríguez, representante da Associação Nacional de Mulheres Rurais e Indígenas, no Chile (ANAMURI) e de Via Campesina (América Latina).

As Rotas são um projeto, que nasce para apoiar o trabalho da Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (CIRADR).

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