Sobe para 17 milhões o número de pessoas afetadas pelas inundações no Paquistão

As Nações Unidas estão expandindo suas operações de ajuda no Paquistão, devido ao aumento das áreas inundadas e o número de pessoas significantemente afetadas pelo desastre. Notícias publicadas na mídia indicam que o Talibã ameaçou matar os trabalhadores humanitários das Nações Unidas que operam na zona de inundação. O Subsecretário-Geral para Assuntos Humanitários afirmou que isso não vai impedir que o pessoal da ONU e seus parceiros continuem o trabalho.

As Nações Unidas estão expandindo suas operações de ajuda no Paquistão, devido ao aumento das áreas inundadas e o número de pessoas significantemente afetadas pelo desastre, que cresceu para quase 17,2 milhões. O número de lares destruídos ou seriamente danificados subiu para cerca de 1,2 milhão. Além disso, uma área de mais de 160 mil quilômetros quadrados, maior do que o tamanho total da Inglaterra, Bangladesh ou Cuba, já foi devastada pelas inundações desde o início das excepcionalmente pesadas chuvas de monções no Paquistão no mês passado.

O Coordenador de Emergências Humanitárias da ONU, John Holmes, disse ontem (26) aos jornalistas na sede da ONU em Nova York que a área afetada ainda está crescendo devido às cheias estarem fazendo seu caminho atravessando o Paquistão em direção ao sul da Província de Sindh, margeada pelo Mar Arábico. “Isso é um desastre de escala sem precedentes” em termos de número de pessoas e escala da área afetada, destacou Holmes, que também serve como Subsecretário-Geral para Assuntos Humanitários.

Ele disse que cerca de 70% dos 460 milhões de dólares solicitados pela ONU e seus parceiros humanitários para ajudar na enchente já foi obtido ou prometido até agora, enquanto outros 600 milhões de dólares foram fornecidos ou prometidos fora desse recurso. Mas Holmes também afirmou que o plano de resposta terá de ser revisado, porque os valores iniciais subestimaram o número de pessoas afetadas pelo desastre.

As agências da ONU já conseguiram levar a quase dois milhões de paquistaneses suprimentos alimentares de emergência e aproximadamente 2,5 milhões receberam água potável. Tratamento médico foi prestado a cerca de três milhões de pessoas, enquanto mais de 115 mil tendas e 77 mil lonas foram distribuídas.

O maior temor continua sendo as potenciais epidemias de doenças de veiculação hídrica, como diarreia, cólera e hepatite. Surtos de malária também são uma preocupação, particularmente nas zonas que permanecem isoladas pelas águas da inundação. No total, cerca de 800 mil pessoas estão isoladas pelas cheias e a ONU tem procurado 40 helicópteros heavy-lift para levar ajuda para as áreas de acesso mais difícil, onde as estradas foram levadas embora e as pontes destruídas.

A Porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) no Paquistão, Stacey Winston, disse à Rádio ONU que “ainda há muito a ser feito, mas estamos intensificando nosso trabalho e mais pessoas estão recebendo ajuda. Por isso, estamos pressionando para tentar chegar ao máximo de pessoas o mais rápido possível”.

Holmes chamou a atenção para notícias publicadas na mídia indicando que o Talibã ameaçou matar os trabalhadores humanitários das Nações Unidas que operam na zona de inundação. Em resposta, ele afirmou que isso não vai impedir que o pessoal da ONU e seus parceiros continuem o trabalho.