Só 11% do apelo humanitário para a República Centro-Africana foi financiado, diz ONU

Pedido total é de 551 milhões de dólares. Quase 2 milhões de pessoas correm risco de ficar sem comida e outros suprimentos básicos se dinheiro não chegar, alerta agência de coordenação humanitária.

Ajuda alimentar em campo de deslocados em Bangui, capital da República Centro-Africana. Foto: IRIN/Nicholas Long

A menos que o apelo de 551 milhões de dólares seja financiado, cerca de 1,9 milhão de pessoas deixarão de receber comida e outros itens de assistência básica na República Centro-Africana. Até o momento, as Nações Unidas e organizações humanitárias só receberam 11% da verba solicitada para o período de três meses.

“O financiamento é um grande problema e, por causa dos acontecimentos no terreno, o apelo inicial dobrou”, afirmou o porta-voz do Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Jens Laerke, em Genebra. “A ONU considera a RCA uma crise da mais alta prioridade, junto com a Síria e as Filipinas após o tufão”, acrescentou.

O vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, pediu na quinta-feira (30) que todos os Estados-membros da ONU ofereçam doações generosas para a missão de paz da União Africana que está “seriamente subfinanciada”.

Para Eliasson, que está representando as Nações Unidas na 22ª sessão da Assembleia da União Africana em Adis Abeba, Etiópia, o objetivo comum das duas organizações deve ser pôr fim ao “confronto atroz” entre cristãos e muçulmanos e restaurar a harmonia que marcou durante tantos anos as relações entre as duas comunidades.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA), que distribui ajuda com escoltas da missão, recebeu apenas 14% dos 107 milhões de dólares pedidos para a operação de emergência na RCA de janeiro a agosto de 2014.

“O PMA precisa urgentemente de 95 milhões de dólares para distribuir imediatamente assistência alimentar e estoques de alimentos antes das chuvas começarem em abril e as estradas se tornarem intransitáveis”, disse a porta-voz Elisabeth Byrs.

Apesar do conflito em andamento, desde o início do ano a agência da ONU já forneceu ajuda alimentar a 220 mil pessoas deslocadas na capital do país, Bangui, e nas cidades de Bouar e Bossangoa.