Situação no Chifre da África é de ‘partir o coração’, diz Coordenadora de Ajuda Humanitária da ONU

Crianças estão tão fracas que não erguem mais as cabeças. Trabalhadores humanitários não conseguem acessar áreas com milhões de desnutridos e doentes. Cólera piora crise.


A Subsecretária-Geral para Assuntos Humanitários e Coordenadora de Ajuda Humanitária das Nações Unidas, Valerie Amos, encerrou neste domingo (14/08) uma viagem de três dias pelo Chifre da África. Entre outros locais, ela visitou um hospital em Mogadíscio, capital da Somália, e o maior campo de refugiados do mundo, em Dadaab, no Quênia. Amos destaca a necessidade de livre acesso para que trabalhadores humanitários salvem as vidas de milhões de desnutridos e combatam as doenças mortais que se espalham pela região, como a cólera.

A passagem pelo hospital Banadir, um dos quatro centros de tratamento que recebem crianças em Mogadíscio, “partiu o coração” da Subsecretária-Geral. “As crianças estão tão fracas que não conseguem levantar a cabeça, enquanto as mães estão desesperadas”, relata.

“Podemos salvar as vidas dessas crianças se as tratarmos cedo o suficiente, mas também precisamos conseguir chegar a áreas fora de Mogadíscio, onde a maioria das pessoas necessita desesperadamente de ajuda”, afirmou Amos. “É por isso que estou aqui. Quero assegurar que todos compreendam a profundidade desta crise.”

Já no Quênia, Amos destacou a expansão do campo de Dadaab – que hoje abriga mais de 400 mil refugiados, quase todos somalis. Aproximadamente 70 mil pessoas chegaram desde junho, mas houve queda no influxo nas últimas semanas.

“Precisamos fazer mais para ajudar as pessoas na Somália”, disse a Subsecretária-Geral para uma mãe que perdeu os quatro filhos na caminhada até o Quênia – todos morreram de fome. “Ninguém deveria ter de suportar tal sofrimento.”

Embora a Somália seja o país mais atingido, a crise no Chifre da África afeta também o Quênia, a Etiópia e Djibuti. Amos agradeceu ao Governo e ao povo queniano por receber os refugiados somalis apesar de também sofrerem com a seca.

Agências da ONU estão trabalhando com organizações parceiras para reduzir o número de refugiados em Dadaab e ampliar a oferta de atendimento médico, sanitário e educacional, além do fornecimento de água aos residentes do campo.

Nas redondezas de Dadaab, Amos visitou também uma comunidade que está hospedando refugiados somalis e tentando fortalecer sua própria sustentabilidade ambiental de longo prazo. “Estou comovida com isso. Temos de fazer todo o possível para ajudar essas pessoas agora, mas também devemos trabalhar juntos para resiliência de longo prazo das comunidades que agora enfrentam a seca a cada dois anos, o que no passado acontecia a cada dez anos.”