Situação na Síria continua piorando e ONU organiza conferência humanitária no Kuweit

As agências humanitárias trabalham para levar ajuda, mas a falta de recursos afeta a capacidade de oferecer assistência, incluindo abastecimento de água, alimentos e medicamentos.

Às vésperas da Conferência Humanitária no Kuweit para levantar fundos para a Síria (que acontecerá dia 30), o Diretor de Operações do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), John Ging, ressaltou nesta segunda-feira (28) a importância de aumentar os recursos para ajudar os civis afetados pelo conflito em curso, tanto dentro do país, quanto aqueles que buscam refúgio para além de suas fronteiras. A conferência pretende levantar 1,5 bilhão  de dólares para ajudar a população nos próximos seis meses.

“A situação na Síria, como todos sabemos, continua piorando, o que significa que há maiores necessidades … mais pessoas precisando de ajuda, e as necessidades são mais agudas, uma vez que os mecanismos de enfrentamento estão entrando em colapso”, afirmou Ging, ressaltando o inverno muito rigoroso como agravante da situação. Ele recentemente liderou uma missão conjunta de agências humanitárias à Síria e ao Líbano.

“O maior esforço humanitário na Síria é o esforço da população para apoiar  seus irmãos e irmãs neste momento extremamente difícil”, acrescentou. “As famílias estão hospedando muitas pessoas e eles próprios acabando sendo afetados pela situação.”

As agências humanitárias da ONU têm trabalhado para levar ajuda a quem precisa, mas a falta de recursos tem afetado a capacidade de oferecer assistência vital, incluindo abastecimento de água, alimentos e medicamentos. Nos campos de refugiados, também faltam combustível e eletricidade, além de isolamento adequado e cobertores para o frio.

Países vizinhos também têm sido afetados. “A Jordânia está esgotando seus recursos para lidar com a crise”, declarou a Diretora Executiva do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Ertharin Cousin. Só este ano, mais de 30 mil pessoas chegaram ao campo de refugiados de Za’atari, na Jordânia.

A situação dos refugiados palestinos é especialmente preocupante. A maioria dos cerca de 525 mil refugiados palestinos na Síria agora dependem unicamente da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA). Várias escolas da Agência no país estão atualmente atuando como um último local de refúgio para nove mil pessoas, enquanto dezenas de milhares definham em condições adversas nos países vizinhos. No Líbano, são cerca de 20 mil palestinos que fugiram para os campos de refugiados refugiados superlotados. Muitos deles também foram mortos na Síria, incluindo cinco funcionários da UNRWA.