Situação na Síria continua a se agravar, alerta chefe humanitária da ONU

Segundo Valeria Amos, a “incapacidade” do Conselho de Segurança da ONU e dos países com influência sobre as partes em conflito para chegar a uma solução política no país se traduz em “consequências humanitárias terríveis para milhões de sírios”.

Um refugiado sírio com seu filho em um campo de refugiados no Iraque. Foto ACNUR/N. Colt

Um refugiado sírio com seu filho em um campo de refugiados no Iraque. Foto ACNUR/N. Colt

Por ocasião de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a situação na Síria, a subsecretária-geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Valerie Amos, disse nessa quinta-feira (26) que a situação se agravou no último ano, encorajando os governos a contribuir “generosamente” para a assistência humanitária destinada aos sírios.

“Há pouco mais de um ano, o Conselho aprovou a resolução 2139, na qual pede às partes em conflito que cessem os ataques contra civis e facilitem o acesso da ajuda humanitária aos necessitados”, disse Amos aos membros do Conselho de Segurança. “Todos nós esperávamos que a resolução obrigaria as partes a reduzir a violência e levaria a uma melhoria significativa da situação para a população na Síria.” No entanto, disse ela, a situação na Síria piorou “dramaticamente”, acrescentando: “Os civis continuam a ser as principais vítimas deste conflito”.

A chefe humanitária da ONU estava particularmente preocupada com a recente violência em Idlib nos últimos dias, que “tem o potencial para deslocar outras centenas de milhares de pessoas”. “Estou preocupada com o fato de que as pessoas possam ficar sitiadas na cidade, se houver uma escalada dos combates. As pessoas precisam ter uma passagem segura e devem ser autorizadas a sair, se necessário”, acrescentou.

Segundo ela, “a incapacidade deste Conselho e dos países com influência sobre as várias partes em conflito na Síria para chegar a um acordo sobre os elementos de uma solução política no país significa que consequências humanitárias continuarão a ser terríveis para milhões de sírios”.

Falta de financiamento ameaça ajuda humanitária

Amos destacou que as Nações Unidas e seus parceiros continuaram a fazer todo o possível para tentar salvar vidas. “Nós continuamos a enviar ajuda a milhões de pessoas mensalmente, inclusive por meio de operações transfronteiriças”, disse ela.

Ela disse que a conferência de doadores no Kuwait, no próximo dia 31 de março, é uma oportunidade de reunir os recursos para dar continuidade a essas operações humanitárias. “Eu encorajo os governos a serem generosos”, disse.

Em um comunicado de imprensa emitido após a reunião, o Conselho de Segurança felicitou a conferência de doadores do Kuwait e também pediu que a comunidade internacional seja generosa. O Conselho observou que o apelo para a Síria, de 2,9 bilhões de dólares, está apenas 9% financiado, enquanto o financiamento para os refugiados sírios, de 4,5 bilhões, está em 6%.

“Os membros do Conselho de Segurança destacou que a falta de recursos financeiros para as Nações Unidas e seus parceiros já forçou as agências de ajuda a reduzir as rações alimentares para os sírios em 30%”, diz o comunicado de imprensa.