Situação humanitária na Costa do Marfim continua alarmante

Mais de três semanas após o fim da crise pós-eleitoral na Costa do Marfim, a situação humanitária do país continua a ser alarmante para dezenas de milhares de civis, apesar de avanços na segurança.

Mais de três semanas após o fim da crise pós-eleitoral na Costa do Marfim, a situação humanitária do país continua a ser alarmante para dezenas de milhares de civis, apesar de avanços na segurança, alertou hoje o Alto Comissariado nas Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). “À medida que nossas equipes atingem mais pessoas, encontramos necessidades substanciais”, disse o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, em conferência de imprensa em Genebra.

Com a melhoria na segurança nas últimas semanas, o ACNUR tem retomado o acesso a pessoas deslocadas internamente (PDI) na capital comercial de Abidjan, onde vinha dando apoio antes de os combates interromperem suas operações.

Deslocados marfinenses em fevereiro, durante o auge da crise. As necessidades dos desabrigados ainda são grandes. Foto: ACNUR/B.Kouame.

Deslocados marfinenses em fevereiro, durante o auge da crise. As necessidades dos desabrigados ainda são grandes. Foto: ACNUR/B.Kouame.

Embora o Alto Comissariado acolha a melhoria da segurança em toda a Costa do Marfim, a agência expressou preocupação com o grande número de postos de controle armados. “Pedimos ao novo Governo da Costa do Marfim que reduza essas barreiras, pois elas intimidam as pessoas que desejem regressar a seus lugares de origem”, disse Edwards. “Pedimos também ao Governo que tranquilize a população civil, acelerando os esforços para reestabelecer a presença de autoridades locais.”

“Muitas pessoas nos dizem que querem voltar para seus locais de origem o mais rapidamente possível. No entanto, em muitos casos, casas e aldeias foram parcial ou totalmente destruídas, e as pessoas estão traumatizadas. Em algumas áreas da cidade, os moradores se escondem durante a noite”, acrescentou.

Estima-se que um milhão marfinenses tenham sido deslocados pela violência durante a recente crise, incluindo aqueles que fugiram para países vizinhos – em particular a Libéria, que está hospedando 135 mil refugiados da Costa do Marfim. Gana e Togo também têm visto um aumento no número de deslocados que chegam desde a captura do ex-Presidente Laurent Gbagbo, sendo um número crescente deles constituído de jovens pró-Gbagbo que alegam ter fugido por medo de represálias.

Agências de ajuda humanitária das Nações Unidas têm alertado há várias semanas que milhares de civis ainda sofrem as consequências dos quatro meses de turbulência que tomaram conta do país africano, sendo as necessidades prioritárias encontradas nos sistemas de saúde, educação, água, abrigo e proteção de pessoas afetadas pela violência. O ACNUR já atendeu 43 mil pessoas no oeste do país, fornecendo abrigo e utensílios domésticos. Na semana passada, o Alto Comissariado recebeu 32 caminhões com suprimentos adicionais, vindos de seus armazéns na Libéria, para ajudar mais 25 mil mais deslocados na região.

No mês passado, a ONU e seus parceiros lançaram um apelo por 160 milhões de dólares para garantir a prestação de serviços básicos a até dois milhões de pessoas em toda a Costa do Marfim. Na semana passada, 20% dos recursos necessários haviam sido financiados.