“Situação dos direitos humanos na Costa do Marfim cada vez mais precária”, acusa relatório da ONU

Um novo relatório das Nações Unidas destaca um padrão contínuo de violações dos direitos humanos, incluindo execuções extra-judiciais, raptos e uso excessivo da força, na Costa do Marfim, desde a eleição de novembro, e adverte que a situação só está piorando.

Laurent Gbagbo na Assembleia Geral da ONU em 2009Um novo relatório das Nações Unidas destaca um padrão contínuo de violações dos direitos humanos, incluindo execuções extra-judiciais, raptos e uso excessivo da força, na Costa do Marfim, desde a eleição de novembro, e adverte que a situação só está piorando. “Com o impasse político agora atingindo seu terceiro mês, a situação dos direitos humanos na Costa do Marfim é cada vez mais precária,” afirmou a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, em seu relatório sobre a situação do país africano.

O relatório, encomendado pelo Conselho de Direitos Humanos e abrangendo eventos até 31 de janeiro de 2011, documenta uma tendência em violações de direitos, com quase 300 pessoas mortas, a maioria como resultado de assassinatos extra-judiciais cometidos por agentes das forças de segurança leais ao Presidente Laurent Gbagbo, que se recusa a deixar o cargo mesmo após a vitória eleitoral certificada pela ONU do oposicionista Allasane Ouattara.

O relatório mostra que a maioria das violações graves são cometidas nas áreas sob controle de Gbagbo e seus apoiadores, principalmente no sudoeste do país e na capital comercial de Abidjan. Ele também aponta que alguns incidentes são cometidos em áreas controladas pelos rebeldes das Forças Nouvelles. Além da deterioração da situação dos direitos humanos, Navi Pillay também exprime a sua preocupação com os obstáculos à circulação e ao funcionamento da Operação das Nações Unidas na Costa do Marfim (ONUCI) e sua Divisão de Direitos Humanos, bem como a ataques contra pessoal da ONU.

A Alta Comissária pede a todas as partes, particularmente Gbagbo e os seus apoiantes, que cessem as violações dos direitos humanos, para permitir a investigação independente destas, e que cooperem com a ONU na proteção dos civis.