Situação de milhares de crianças na Líbia é insustentável, alerta UNICEF

O mundo não deve aceitar a situação “terrível e insustentável” enfrentada pelas crianças na Líbia, disse a chefe do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) nesta sexta-feira (17).

“As crianças na Líbia, incluindo crianças refugiadas e migrantes, continuam sofrendo gravemente em meio à violência e ao caos desencadeado pela guerra civil de longa data do país”, disse a diretora-executiva Henrietta Fore, em comunicado.

O UNICEF e seus parceiros no terreno estão apoiando crianças e famílias, fornecendo acesso a cuidados de saúde e nutrição, proteção, educação, água e saneamento.

Criança corre em meio a escombros no centro de Benghazi, na Líbia. Foto: UNICEF/Giovanni Diffidenti

Criança corre em meio a escombros no centro de Benghazi, na Líbia. Foto: UNICEF/Giovanni Diffidenti

O mundo não deve aceitar a situação “terrível e insustentável” enfrentada pelas crianças na Líbia, disse a chefe do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) nesta sexta-feira (17).

“As crianças na Líbia, incluindo crianças refugiadas e migrantes, continuam sofrendo gravemente em meio à violência e ao caos desencadeado pela guerra civil de longa data do país”, disse a diretora-executiva Henrietta Fore, em comunicado.

Desde abril do ano passado, quando eclodiram hostilidades renovadas nos arredores da capital Trípoli e no oeste da Líbia, as condições de milhares de crianças e civis se deterioraram, com ataques indiscriminados em áreas povoadas que causaram centenas de mortes.

O UNICEF recebeu relatos de crianças mutiladas, mortas e também recrutadas para lutar, disse Fore.

Desde a queda do presidente Muammar Kadafi, em 2011, a Líbia está sofrendo instabilidade e colapso econômico, apesar de suas grandes reservas de petróleo.

Milhares foram mortos em combates entre facções do auto-denominado Exército Nacional da Líbia (LNA) comandado por Khalifa Haftar, com sede no leste, e o governo reconhecido pela ONU em Trípoli, localizado no oeste.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, participará no domingo (19) em Berlim de uma cúpula internacional com a presença do primeiro-ministro do governo líbio reconhecido pelas Nações Unidas e do comandante Haftar, na esperança de estabelecer um cessar-fogo permanente.

Enquanto isso, nos últimos oito meses, mais de 150 mil pessoas — incluindo 90 mil crianças — foram forçadas a deixar suas casas e agora estão deslocadas internamente.

Ampla destruição

Fore destacou que os ataques também tiveram como alvo a “infraestrutura essencial da qual as crianças dependem para seu bem-estar e sobrevivência”.

“Quase 30 unidades de saúde foram danificadas nos combates, forçando o fechamento de 13”, lamentou, acrescentando que ataques e a ameaça de violência levaram ao fechamento de escola, deixando quase 200 mil crianças sem aulas.

Além disso, os sistemas de água foram atacados e o sistema de gerenciamento de resíduos praticamente entrou em colapso, aumentando muito o risco de doenças transmitidas pela água, incluindo o cólera.

“As 60 mil crianças refugiadas e migrantes atualmente em áreas urbanas também estão terrivelmente vulneráveis, especialmente as 15 mil que não estão acompanhadas e são mantidas em centros de detenção”, continuou ela. “Essas crianças já tinham acesso limitado a proteção e serviços essenciais; portanto, o conflito intensificado apenas ampliou os riscos que elas enfrentam.”

Fornecimento de ajuda

O UNICEF e seus parceiros no terreno estão apoiando crianças e famílias, fornecendo acesso a cuidados de saúde e nutrição, proteção, educação, água e saneamento.

“Também estamos ajudando crianças refugiadas e migrantes, inclusive aquelas mantidas em centros de detenção”, declarou. “Infelizmente, ataques contra a população civil e a infraestrutura, bem como contra profissionais humanitários e de saúde, estão tentando minar os esforços humanitários.”

Fore exortou todas as partes envolvidas no conflito e aqueles que têm influência sobre elas a proteger as crianças, encerrar o recrutamento de crianças, interromper os ataques contra a infraestrutura civil e permitir “acesso humanitário seguro e desimpedido a crianças e pessoas necessitadas”.

“Apelamos também às autoridades líbias para que ponham fim à detenção de crianças refugiadas e migrantes e que busquem ativamente alternativas seguras e dignas à detenção”, disse a chefe do UNICEF.

Antes da cúpula em Berlim, Fore pediu às partes em conflito e às pessoas com influência sobre elas “que alcancem urgentemente um acordo de paz abrangente e durável em prol de todas as crianças na Líbia”.