Sistema ONU no Brasil participa de comemorações dos 30 anos da Agência Brasileira de Cooperação

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Representantes do Sistema ONU no Brasil participam nesta quinta e sexta-feira (25 e 26) de eventos em comemoração aos 30 anos da Agência Brasileira de Cooperação (ABC).

A ABC foi criada para coordenar os programas e projetos brasileiros de cooperação técnica, no âmbito da política externa brasileira. Integrada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), a ABC trabalha no fortalecimento da cooperação do Brasil com o exterior.

Niky Fabiancic, coordenador-residente do Sistema Nações Unidas no Brasil, durante o encontro de 30 anos da ABC. Foto: Marcelo Guimarães/ABC

Niky Fabiancic, coordenador-residente do Sistema Nações Unidas no Brasil, durante o encontro de 30 anos da ABC. Foto: Marcelo Guimarães/ABC

Representantes do Sistema ONU no Brasil participam nesta quinta e sexta-feira (25 e 26) de eventos de comemorações dos 30 anos da Agência Brasileira de Cooperação (ABC). Os encontros ocorrerão no Palácio do Itamaraty, em Brasília, com homenagens e mesas-redondas com a participação dos principais parceiros da agência, entre eles, organismos das Nações Unidas.

A cerimônia de abertura ocorreu nesta quinta-feira com a participação do ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, do embaixador João Almino, diretor da ABC, que agradeceu a todas as instituições que contribuíram e ainda contribuem para o êxito das atividades da agência.

“Almejo que a celebração desta data simbólica, seja, também, uma oportunidade para um exame das conquistas realizadas e dos desafios a enfrentar, para uma frutífera troca de ideias e experiências entre os participantes, bem como para novos avanços institucionais no campo da cooperação técnica e humanitária internacional brasileira”, afirmou o chanceler em seu discurso.

O coordenador-residente do Sistema ONU e representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, Niky Fabiancic, destacou o papel da ABC e de seus parceiros no âmbito da Cooperação Sul-Sul.

“As Nações Unidas têm fomentado a aplicação do conceito e princípios de Cooperação Sul-Sul e triangular por todos os seus organismos que atuam em países em desenvolvimento, promovendo a troca de experiências positivas, principalmente aquelas que poderiam ser replicadas em outros países com realidades semelhantes”, afirmou.

Fabiancic fez questão de lembrar, ainda, a nova agenda global e seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

“Com a implementação da Agenda 2030, a cooperação internacional assume um papel de grande relevância, pois pode atuar como catalizadora de ações intersetoriais e integradas. E a Cooperação Sul-Sul constitui uma ferramenta valiosa para alcançar o progresso nessas metas, desempenhando o Brasil um forte papel de liderança nesse processo. É nesse contexto que coloco as redes globais do Sistema ONU à disposição do Brasil, da ABC, para aprofundar nossa parceria e fomentar o desenvolvimento de países mais justos e sustentáveis”, disse.

Para o chanceler brasileiro, “a ABC criou um modelo exitoso de cooperação internacional”, comparado por ele a um “passaporte para o estreitamento de relações políticas”. Ele salientou ainda que a ABC “capta a sensibilidade dos parceiros” e adota um modelo de “cooperação desinteressada”.

Nesta quinta-feira, estão previstas três mesas-redondas. Uma delas terá a participação do enviado especial do secretário-geral da ONU para a Cooperação Sul-Sul e diretor do Escritório das Nações Unidas para Cooperação Sul-Sul (UNOSSC), Jorge Chediek.

Para discutir a Cooperação Sul-Sul e a proposta de ampliação de atuação conjunta em benefício de terceiros países na perspectiva de organismos internacionais, estarão presentes representantes da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Organização Internacional do Trabalho (OIT), Programa Mundial de Alimentos (PMA), PNUD, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e ONU Mulheres.

Sobre a ABC

A ABC foi criada para coordenar os programas e projetos brasileiros de cooperação técnica, no âmbito da política externa brasileira. Integrada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), a ABC trabalha no fortalecimento da cooperação do Brasil com o exterior.

A Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, promovida por países e organizações internacionais, é realizada em benefício de países em desenvolvimento, por meio de projetos, programas, ações e atividades que tenham como finalidade combater dificuldades e desigualdades econômicas e sociais de forma sustentável e duradoura.

Nas últimas três décadas, a cooperação em benefício do Brasil, por meio de aproximadamente 4 mil atividades executadas, mobilizou cerca de 6 bilhões de dólares em recursos nacionais e 1,5 bilhão de dólares estrangeiros. Atualmente, as iniciativas priorizam a agenda do desenvolvimento sustentável e social, promoção de direitos e modernização da gestão pública.

Criança palestina participa de evento de doação do Brasil. Foto: UNRWA

Criança palestina participa de evento de doação do Brasil. Foto: UNRWA

Ao longo dos anos, a cooperação recebida cedeu lugar, gradativamente, àquela prestada pelo Brasil a outros países. Com o desenvolvimento de políticas públicas bem-sucedidas, o país despertou o interesse de nações em desenvolvimento que enfrentavam desafios similares e passou a compartilhar o conhecimento das instituições nacionais.

Como resultado, foram realizados até o momento mais de 3 mil projetos de cooperação do Brasil com o exterior, através de parcerias com países e organismos internacionais. Entre os países, estão 108 de África, América Latina, Ásia e Oceania.

O Brasil desenvolve as ações mediante as solicitações que recebe, avaliando se tem capacidade e excelência técnica naquele tema. A cooperação técnica não prevê, no entanto, prestar apoio financeiro a terceiros, apenas o reforço de capacidades e a transferência de conhecimento.

Entre as iniciativas de cooperação prestada a outros países em desenvolvimento, várias têm gerado significativos impactos nos parceiros. Entre alguns exemplos, está o Programa de Bancos de Leite Humano, realizado em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) em 24 países de América Latina, Europa e África. Considerado pela OMS iniciativa de excelência no combate à mortalidade infantil, o programa contribui também para a redução da desnutrição crônica, e já beneficiou mais de 300 mil crianças.

Neste momento, entre cooperação recebida e cooperação prestada, existem cerca de 620 projetos em execução, nas áreas de saúde, educação, agricultura, desenvolvimento social, meio ambiente, trabalho e emprego, administração pública e segurança pública.

No total, ao longo destes 30 anos, a ABC desenvolveu as suas atividades de cooperação por meio de parcerias estabelecidas com cerca 147 instituições brasileiras, 29 organismos internacionais e 30 agências de cooperação de países desenvolvidos e em desenvolvimento com os quais o Brasil mantém cooperação, além das cooperações bilaterais com 124 nações.


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