Sistema ONU pronto para o início da Copa do Mundo de 2010 na África do Sul

O sistema das Nações Unidas está se preparando para o início da Copa do Mundo de futebol nesta semana. Representantes da Organização ressaltaram a oportunidade de projeção do continente africano para concretizar avanços sociais e econômicos.

O sistema das Nações Unidas está se preparando para o início da Copa do Mundo de futebol nesta semana. Representantes da Organização ressaltaram a oportunidade de projeção do continente africano para concretizar avanços sociais e econômicos.

De acordo com o Assessor Especial de Esporte da ONU para o Desenvolvimento e a Paz, Wilfried Lemke, a Copa do Mundo de futebol apresenta ao país e ao resto do continente a oportunidade de aproveitar o poder de um evento internacional para projetar o potencial da África para a paz e o desenvolvimento. O evento ressalta o “renascimento africano”, disse Lemke em entrevista coletiva em Nova York no final de maio. “Grandes eventos esportivos criam legados, tais como infraestrutura e turismo. Esta Copa do Mundo, se bem sucedida, contribuirá também para a confiança e orgulho de muitas pessoas e Estados da África”, acrescentou. “Isso é extremamente importante para o futuro africano”.

O Secretário-Geral Ban Ki-moon participará da cerimônia de abertura da primeira Copa do Mundo de futebol em território africano, em Joanesburgo, nesta sexta-feira (11), a convite pessoal do presidente da África do Sul, Jacob Zuma. O porta-voz do Secretário-Geral, Martin Nesirky, disse que “o fato de a Copa do Mundo estar sendo organizada pela África do Sul é uma homenagem ao talento e ao potencial de todo o continente”. Ele acrescentou que a África é uma prioridade para o Secretário-Geral em relação aos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) até 2015.

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, endossou esses discursos. Em um artigo no jornal sul-africano Business Day, na segunda-feira (7), Pillay escreveu que a Copa do Mundo é um momento oportuno para refletir sobre o fato de o esporte servir para promover a coesão social, unir diferentes culturas em uma celebração da concorrência saudável para superar a desconfiança, e até o desprezo, que muitas vezes dividem os países e as comunidades nos setores político e social.

Pillay, que experimentou o preconceito e o racismo como uma mulher de ascendência indiana criada na África do Sul, pediu a todos que vão jogar, ou simplesmente assistir, que usem essa Copa do Mundo como um catalisador para a ação global contra a intolerância e o racismo. “Os verdadeiros vencedores desta Copa serão aqueles que comemorarem e defenderem com palavras e atitudes seus valores de “fair play” (jogo justo), a competição honesta, respeito e tolerância dentro e fora do campo”, concluiu a Alta Comissária.

Fundos, programas e agências das Nações Unidas utilizam a Copa do Mundo para fortalecer o continente africano

Vários fundos, programas e agências especializadas da ONU estão usando a Copa do Mundo para aproximação e colaboração com a África do Sul e o continente africano, a fim de abordar e promover questões que vão desde o desenvolvimento econômico e os direitos da criança à construção da paz. Em outubro de 2009, a Assembleia Geral aprovou uma resolução encorajando a comunidade internacional a aproveitar a Copa do Mundo para o desenvolvimento de todo o continente.

“O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) tem apoiado o governo Sul-Africano em seus esforços para prevenir e reduzir os possíveis abusos, exploração e tráfico a que algumas crianças podem estar sujeitas durante a Copa do Mundo”, disse a Diretora de Parcerias com a Sociedade Civil do UNICEF, Liza Barrie.

O Diretor de Comunicações do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Stéphane Dujarric, disse que, enquanto um evento verdadeiramente global, a Copa do Mundo é uma oportunidade única para sensibilizar e advogar em direção ao alcance dos ODM, não apenas na África do Sul, mas também para audiências em todo o mundo.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) está trabalhando com o governo sul-africano e com o comitê organizador local da Copa para garantir que o evento seja realizado sob condições que levem a consequências ecológicas mínimas para as gerações futuras. “O PNUMA vem colaborando há muito tempo com cidades anfitriãs e organizadoras de grandes eventos de esportes. O amadurecimento de eventos ganhou impulso nos últimos dez anos. A Copa do Mundo de 2010 não é exceção”, disse o diretor de coordenação política e assuntos interagenciais do PNUMA, Munyaradzi Chenje.