Sírios enfrentam frio extremo e falta de assistência médica perto da fronteira com Jordânia

As condições em um acampamento sírio improvisado próximo à fronteira com a Jordânia estão “cada vez mais desesperadoras” e “se tornaram uma questão de vida ou morte”, alertaram na terça-feira (15) autoridades das Nações Unidas, após ao menos oito crianças morrerem no local por conta do frio extremo e falta de assistência médica.

Falando a jornalistas em Genebra, o porta-voz do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Hervé Verhoosel, ecoou um alerta do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) de que crianças com poucos meses de vida estão morrendo devido às duras condições de inverno no assentamento de Rukban, que recebeu assistência pela última vez em novembro.

Meninas sírias abrigam-se em tenda de campo de refugiados no norte do país. Foto: UNICEF/Aaref Watad

Meninas sírias abrigam-se em tenda de campo de refugiados no norte do país. Foto: UNICEF/Aaref Watad

As condições em um acampamento sírio improvisado próximo à fronteira com a Jordânia estão “cada vez mais desesperadoras” e “se tornaram uma questão de vida ou morte”, alertaram na terça-feira (15) autoridades das Nações Unidas, após ao menos oito crianças morrerem no local por conta do frio extremo e falta de assistência médica.

Isso acontece conforme o recém-nomeado enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Geir Pederson, chega a Damasco para seu primeiro encontro com o governo. Ele assumiu o cargo deixado pelo negociador veterano Staffan de Mistura.

Em mensagem no Twitter, o diplomata norueguês afirmou estar “ansioso para encontros produtivos” na capital da Síria, que tem sido atingida há sete anos por confrontos, que deixaram centenas de milhares de mortos.

Falando a jornalistas em Genebra, o porta-voz do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Hervé Verhoosel, ecoou um alerta do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) de que crianças com poucos meses de vida estão morrendo devido às duras condições de inverno no assentamento de Rukban, que recebeu assistência pela última vez em novembro.

“As Nações Unidas permanecem seriamente preocupadas com as condições cada vez mais desesperadoras para mais de 40 mil pessoas que estão em Rukban”, disse. “A maioria é formada por mulheres e crianças, que estão no local há mais de dois anos em condições difíceis, com assistência humanitária e serviços médicos limitados”.

Em meio a preocupações com a segurança, a Jordânia fechou sua fronteira com a Síria em Rukban à medida que dezenas de milhares de sírios chegavam ao acampamento, fugindo de ataques aéreos russos e da coalizão liderada pelos Estados Unidos contra áreas tomadas pelo Estado Islâmico e por terroristas no centro e leste da Síria.

Após a entrega de assistência em novembro a Rukban, o chefe humanitário da ONU, Mark Lowcock, disse ao Conselho de Segurança que “colegas voltaram chocados com o que viram em solo, relatando graves problemas de proteção, crescente insegurança alimentar e nenhum médico certificado entre a população”.

Lowcock alertou então que, “sem acesso contínuo, a situação de dezenas de milhares de sírios – presos nas mais duras condições do deserto – irá somente piorar conforme o frio do inverno se estabelece”.

Ecoando esta mensagem na terça-feira (15), Verhoosel reiterou o pedido feito pelo PMA e pela ONU para que “um segundo comboio de agências da ONU com assistência essencial aconteça o mais rápido possível”, pedindo que “todas as partes garantam acesso humanitário seguro, contínuo e desimpedido para pessoas em necessidade, em linha com obrigações sob lei humanitária internacional”.

Inverno agrava situação

As condições dos que estão em Rukban não são novidade, mas o inverno duro e a falta de suprimentos regulares pioraram a situação, de acordo com o diretor regional do UNICEF para o Oriente Médio e o Norte da África, Geert Cappelaere.

“Necessidades de assistência em Rukban são mais que urgentes”, disse em comunicado. “Elas são extremamente acentuadas e se tornaram uma questão de vida e morte”.

“Mais uma vez, o UNICEF pede para todos os lados facilitarem urgentemente um comboio humanitário a Rukban, incluindo clínicas médicas móveis, para que suprimentos e serviços vitais possam ser entregues”, destacou.

No leste da Síria, enquanto isso, violência na área de Hajin, na província de Deir-Ez-Zor, deslocou 10 mil pessoas desde dezembro, alertou a autoridade do UNICEF.

“Famílias que buscam segurança enfrentam dificuldades ao deixar a zona de conflito e aguardam no frio por dias, sem abrigo ou suprimentos básicos”, disse. “A jornada perigosa e difícil matou sete crianças, segundo relatos, a maioria delas com menos de 1 ano”.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), “o confronto em andamento em Hajin tem um custo pesado sobre civis”, com os que não fugiram ficando sem acesso a assistência humanitária por conta da insegurança extrema e “aqueles que fugiram passando por uma jornada árdua para escapar da violência”.


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