Síria: Rússia e Turquia aumentam prazo para que rebeldes deixem Idlib

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A Rússia e a Turquia informaram que darão mais tempo para grupos da oposição se retirarem de uma zona desmilitarizada em Idlib, na Síria, que tem sido poupada de ataques aéreos há mais de um mês, disse um conselheiro humanitário da ONU nesta quinta-feira (18).

“Alguns dos primeiros prazos foram ultrapassados. Haverá mais tempo para diplomacia e isto é um grande alívio para nós”, disse, acrescentando que “se alguém seguir a lógica militar que tem sido frequentemente seguida nesta guerra, isto será notícia horrível para civis”.

Cerca de 400 famílias se abrigavam em acampamento improvisado no norte de Idlib, Síria, após fugirem da violência no sul da cidade no começo de setembro de 2018. Foto: UNICEF/Aaref Watad

Cerca de 400 famílias se abrigavam em acampamento improvisado no norte de Idlib, Síria, após fugirem da violência no sul da cidade no começo de setembro de 2018. Foto: UNICEF/Aaref Watad

A Rússia e a Turquia informaram que darão mais tempo para grupos da oposição se retirarem de uma zona desmilitarizada em Idlib, na Síria, que tem sido poupada de ataques aéreos há mais de um mês, disse um conselheiro humanitário da ONU nesta quinta-feira (18).

Falando a jornalistas em Genebra após um encontro da Força-Tarefa de Acesso Humanitário do Grupo Internacional de Apoio à Síria, Jan Egeland expressou “alívio” que agravamento de violência no noroeste do país tem sido evitado, por ora.

“O lado russo e turco indicou que de fato mais tempo será dado para implementação do acordo”, disse Egeland, em sua capacidade como assessor sênior ao enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, que anunciou na quarta-feira (17) que deixará o cargo.

“Alguns dos primeiros prazos foram ultrapassados. Haverá mais tempo para diplomacia e isto é um grande alívio para nós”, disse, acrescentando que “se alguém seguir a lógica militar que tem sido frequentemente seguida nesta guerra, isto será notícia horrível para civis”.

Após mais de sete anos de confrontos que deixaram centenas de milhares de sírios mortos, deslocaram milhões e envolveram os interesses de diversas potências estrangeiras, Egeland destacou o valor do acordo atual entre Rússia e Turquia, que são abonadores de uma zona desmilitarizada proposta em Idlib.

“Tivemos cinco semanas sem quaisquer ataques aéreos”, disse. “Não consigo me lembrar de tal período durante os últimos três anos em Idlib. É uma calmaria nesta área muito sensível, complexa e difícil, repleta de 3 milhões de civis. É uma calmaria bem-vinda.”

Além de grupos da oposição, cerca de 3 milhões de pessoas vivem em Idlib, junto a 12 mil agentes humanitários.

Muitas pessoas da região estão fugindo para outras áreas da Síria que foram retomadas por forças do governo; mais recentemente as províncias de Dar’a e Quneitra, no sudeste, assim como Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco.

“As grandes batalhas terminaram na maior parte do país”, mas Idlib “ainda pode se tornar a pior batalha”, disse Egeland.

Ele explicou que mesmo se grupos da oposição, incluindo a Frente Al-Nusra, retirarem suas armas pesadas da linha de contato, eles “naturalmente” se incorporariam em áreas fortalecidas de Idlib, deixando “um milhão de civis imersos” em conflito.

“Este é um acordo fantástico por ora porque impede derramamento de sangue, isto precisa continuar assim”, afirmou.

Embora os olhos da comunidade internacional permaneçam fixos em Idlib, ainda há tremendo sofrimento em muitas áreas da Síria, incluindo no leste do país, destacou Egeland.

“Há lutas horríveis que ninguém parece ligar no leste, com 15 mil pessoas em fogo cruzado entre combatentes do Estado Islâmico e forças de ataque”, disse, destacando que embora a guerra esteja se encerrando “em mais e mais províncias”, paz só pode ser construída através de direitos humanos e da implementação do Estado de Direito.

Egeland irá seguir De Mistura e deixar cargo no mês que vem

Após coordenar esforços da ONU para fornecer ajuda humanitária à Síria por mais de três anos, fazendo a ligação entre o governo da Síria e a comunidade internacional para passagem segura para comboios de ajuda em linhas de frente e fronteiras, Egeland também anunciou que irá deixar o cargo.

Se espelhando em Staffan de Mistura, enviado especial para a Síria, que fez anúncio similar na quarta-feira na sede da ONU em Nova York, Egeland disse que irá deixar seu cargo no final de novembro.

“Tem sido muito cansativo realmente… não houve uma noite ou um final de semana em que não estivesse lidando com Aleppo, Homs, Dera’a, Ghouta Oriental, agora Idlib, Rukban ou outras questões”, disse. “Então esta é a questão, presumo que serei substituído por alguém melhor e que eles irão continuar com uma força-tarefa porque o trabalho não está nem na metade”.


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