Síria: ONU pede trégua de 48 horas semanais em Alepo para entrega de assistência humanitária

Em toda a Síria, cerca de 5,5 milhões de pessoas estão em necessidade em áreas de difícil alcance e têm acesso limitado à ajuda básica e à proteção. A ajuda humanitária já atingiu mais de 1 milhão de pessoas em áreas sitiadas, mas os enormes desafios de acesso ainda existem.

Comboios de ajuda humanitária. Foto: PMA/Basel Hassan

Comboios de ajuda humanitária. Foto: PMA/Basel Hassan

Citando as condições humanitárias alarmantes em toda a Síria, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Stephen O’Brien, pediu na segunda-feira (25) uma pausa semanal de 48 horas nos conflitos no leste de Alepo para que a ONU e os parceiros tenham acesso à região no próximo mês.

“A comunidade internacional deve agir antes que seja tarde demais; antes que outra geração de sírios seja perdida devido ao conflito e à miséria”, informou Stephen O’Brien ao Conselho de Segurança da ONU.

O subsecretário-geral ressaltou a importância de reconstruir a dinâmica desenvolvida na primeira metade do ano, em particular pela força-tarefa humanitária criada pelo Grupo Internacional de Apoio à Síria (ISSG).

Segundo ele, é necessário a consolidação da cessação das hostilidades, bem como é essencial que as partes envolvidas tomem medidas para garantir o acesso seguro e incondicional da ajuda humanitária e o fim imediato dos bloqueios que punem coletivamente centenas de milhares de civis sem piedade.

Em toda a Síria, cerca de 5,5 milhões de pessoas estão em necessidade em áreas de difícil alcance e têm acesso limitado à ajuda básica e à proteção. Segundo observou O’Brien, a ajuda humanitária já atingiu mais de 1 milhão de pessoas em áreas sitiadas e de difícil acesso, mas enormes desafios ainda persistem.

“O conflito tem gerado níveis enormes de sofrimento para os civis, e as palavras não são suficientes para descrever a realidade sombria e brutal que o povo da Síria vive hoje”, frisou O’Brien.

Desde 7 de julho, os movimentos civis, humanitários e comerciais foram interrompidos no leste de Alepo. Além disso, confrontos intensos entre as forças do governo da Síria e os grupos armados tornaram a estrada Castello – a última via de acesso ao leste de Aleppo – intransitável.

Ataques a instalações médicas tem ‘efeito devastador’

O subsecretário-geral observou também que os alimentos na cidade síria devem acabar em meados do próximo mês. Embora os suprimentos médicos sejam suficientes para um período mais longo, os constantes ataques realizados contra as instalações médicas na cidade têm um efeito devastador, uma vez que deixam milhares de pessoas incapazes de obter cuidados essenciais.

“A comunidade internacional não pode deixar que o leste da cidade de Alepo se torne a maior área sitiada. Isto é medieval e vergonhoso”, declarou o subsecretário-geral, pedindo a todos os envolvidos e os que têm influência que ajam imediatamente para estabelecer uma “pausa humanitária semanal de 48 horas no local para que a ONU e os parceiros tenham acesso contínuo e seguro a 250 mil pessoas presas atrás da linha de combate”.

O’Brien também destacou profunda preocupação com os relatos da piora das condições humanitárias e sobre as necessidades emergenciais de evacuação médica nas cidades de sírias de Madaya, Foah, Zabadani e Kefraya, onde mais de 62 mil pessoas estão sitiadas.