Síria: ONU pede que Jordânia abra suas fronteiras para proteger civis do fogo cruzado

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O chefe da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) apelou na quinta-feira (5) para que a Jordânia abra sua fronteira com o sudoeste da Síria para ajudar a proteger cerca de 750 mil civis que estão em meio ao fogo cruzado e a ataques aéreos.

“Mais de 320 mil pessoas estão desalojadas e a maioria vive em condições precárias e inseguras, incluindo cerca de 60 mil pessoas acampadas na fronteira entre Nasib e Jaber, na Jordânia”, disse Filippo Grandi, alto-comissário das Nações Unidas para os refugiados.

Famílias deslocadas da área rural de Quneitra, sudoeste da Síria, para áreas próximas às colinas de Golã. Famílias estão buscando abrigo em áreas abertas e passam por necessidade de abrigo. Foto: UNICEF/Alaa Al-Faqir

Famílias deslocadas da área rural de Quneitra, sudoeste da Síria, para áreas próximas às colinas de Golã. Famílias estão buscando abrigo em áreas abertas e passam por necessidade de abrigo. Foto: UNICEF/Alaa Al-Faqir

O chefe da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) apelou na quinta-feira (5) para que a Jordânia abra sua fronteira com o sudoeste da Síria para ajudar a proteger cerca de 750 mil civis que estão em meio ao fogo cruzado e a ataques aéreos.

“Mais de 320 mil pessoas estão desalojadas e a maioria vive em condições precárias e inseguras, incluindo cerca de 60 mil pessoas acampadas na fronteira entre Nasib e Jaber, na Jordânia”, disse Filippo Grandi, alto-comissário das Nações Unidas para os refugiados.

Embora as comunidades locais na Síria tenham aberto suas portas para receber muitos dos deslocados, a maioria é forçada a viver em espaços abertos ou em abrigos improvisados ​​que oferecem pouca segurança e proteção, acrescentou.

“Há um grande número de mulheres e crianças entre os deslocados, bem como idosos, feridos e doentes, e eu estou especialmente preocupado com eles”, alertou, acrescentando que entre os deslocados estão os trabalhadores humanitários locais que “serviram a população civil” durante todo o conflito.

Grandi ressaltou a prioridade imediata de encontrar uma solução política para o conflito para poupar civis. O confronto entre forças pró-governo sírio e milícias de oposição vêm se intensificando há semanas em toda a província de Dara’a, perto da fronteira com a Jordânia, bem como na área de fronteira com Israel, nas Colinas de Golã.

Ele disse que, enquanto a ONU e seus parceiros estão fazendo o que podem para salvar vidas civis no sudoeste da Síria — tanto dentro do país quanto na fronteira com a Jordânia — a situação de segurança está dificultando os esforços para alcançar muitas pessoas em necessidade extrema.

“Peço a todas as partes que redobrem os esforços para cessar as hostilidades, permitir que os agentes humanitários forneçam assistência, abriguem e evacuem os feridos”, disse Grandi, explicando que proteção civil, segurança e ajuda humanitária são de “maior importância”.

É “um princípio fundamental do direito internacional humanitário que precisa ser garantido por todas as partes envolvidas no conflito e pela comunidade internacional em geral”, ressaltou.

“Elogio a Jordânia que generosamente fornecer proteção a centenas de milhares de refugiados sírios desde o início da crise e por fornecer e facilitar assistência aos necessitados dentro da Síria”, disse ele.

Mas, “devido aos perigos imediatos”, acrescentou Grandi, “estou defendendo a concessão de refúgio temporário na Jordânia àqueles que precisam de segurança, e que a comunidade internacional preste apoio imediato e substancial à Jordânia, num espírito de solidariedade e partilha de responsabilidades”.

Ressaltando que o ACNUR está preparado para ampliar imediatamente sua assistência dentro da Síria e da Jordânia, o alto-comissário concluiu: “milhares de vidas inocentes serão perdidas, mais uma vez, se ações urgentes não forem tomadas”.

Em comunicado divulgado por seu porta-voz na quinta-feira (5), o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse estar “seriamente preocupado com a retomada da ofensiva militar no sudoeste da Síria e com seu impacto devastador sobre os civis”.

“Ele apela a todas as partes para que tomem todas as medidas necessárias para salvaguardar vidas civis, permitir a liberdade de movimento e proteger infraestruturas civis, incluindo instalações médicas e educacionais, em todos os momentos, de acordo com o direito internacional humanitário e de direito humanos”, disse o comunicado.


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