Síria: ONU pede acesso imediato e irrestrito para salvar vidas em zona rural de Damasco

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Situação volta a se complicar após comboio ter alcançado região no final de outubro. Milhares de pessoas continuam vivendo em dez áreas sitiadas na Síria.

Segundo a OMS, há relatos de escassez grave de alimentos e de itens médicos no leste de Ghouta, zona rural da capital Damasco, onde até 400 mil pessoas continuam sitiadas e sem acesso a assistência vital.

Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) relata lenta volta à normalidade em Alepo, onde combates chegaram ao fim.

Abdullah, de 6 anos, no leste Ghouta, perto de Damasco, na Síria; eles fugiram de um bombardeio recentemente. Foto: UNICEF/Almohibany

Abdullah, de 6 anos, no leste Ghouta, perto de Damasco, na Síria; eles fugiram de um bombardeio recentemente. Foto: UNICEF/Almohibany

Em meio à piora na situação humanitária e de segurança no leste de Ghouta, área sitiada na Síria, a Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu a todos os lados do conflito que interrompam os ataques a civis, facilitem as evacuações por razões médicas e permitam a passagem segura de suprimentos de saúde.

Em nota divulgada no início da semana, a chefe das operações da OMS na Síria, Elizabeth Hoff, afirmou que a situação é de “cortar o coração”. Ela afirmou que as vidas de centenas de pessoas, incluindo muitas crianças, estão em risco.

Segundo a OMS, há relatos de escassez grave de alimentos e de itens médicos no leste de Ghouta, zona rural da capital Damasco, onde até 400 mil pessoas continuam sitiadas e sem acesso a assistência vital.

Entre elas, mais de 240 precisam urgentemente de cuidados médicos avançados, incluindo 29 pacientes “prioritários”, a maioria crianças, em situação crítica e que precisam ser retirados imediatamente do local por questões de saúde.

De acordo com a agência da ONU, há planos para evacuações médicas de Ghouta para hospitais em Damasco e outros locais mas, até o momento, não houve aprovação formal para as medidas pelas autoridades nacionais responsáveis.

Além disso, também há relatos de escassez de água e de que os índices de desnutrição, especialmente em crianças, estejam subindo, deixando-as em risco de doenças infecciosas graves.

Comboio da ONU alcançou leste de Ghouta no final de outubro

No final de outubro, agências das Nações Unidas entregaram suprimentos de saúde, estoques de higiene e alimentos “desesperadamente necessários” para dezenas de milhares de pessoas.

De acordo com o Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA), um comboio humanitário de 49 caminhões, dos quais 41 transportando alimentos, conseguiu alcançar o leste de Ghouta, em Damasco Rural, uma das quatro áreas onde quase 95% da população vive sitiada.

Fontes de nutrição também foram entregues a cerca de 13 mil crianças, especialmente as menores de cinco anos, para prevenir e curar a desnutrição aguda.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) enviou seis caminhões de material humanitário como parte do comboio do final de outubro. Os caminhões da agência incluíam itens de saúde, como soluções de reidratação oral, medicamentos para crianças, vitaminas, obstetrícia e kits pediátricos. Kits de higiene, suplementos nutricionais e biscoitos altamente energéticos também estavam incluídos na entrega.

Em Alepo, vida volta ao normal aos poucos

As ruas que cercam a cidadela medieval de Alepo ainda carregam as cicatrizes da batalha ao longo dos anos que reduziu as dimensões dessa antiga cidade a escombros.

Em meio à destruição, há sinais de que a vida está pouco a pouco voltando ao normal. Segundo a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), desde o início de 2017 estima-se que 440 mil sírios deslocados tenham retornado à cidade e às áreas do entorno.

Cerca de 300 mil pessoas voltaram ao leste de Alepo, que testemunhou alguns dos combates mais pesados de todo o conflito sírio.

Rua deserta no leste de Alepo, onde alguns dos piores combates do conflito sírio ocorreram. Foto: ACNUR/Bassam Diab

Rua deserta no leste de Alepo, onde alguns dos piores combates do conflito sírio ocorreram. Foto: ACNUR/Bassam Diab

Muitos dos que agora estão retornando passaram anos em movimento e estão voltando para casas danificadas em bairros sem energia ou água corrente, pois não têm outra opção. A imagem geral em todo o país permanece sombria. Mais de 6 milhões de sírios ainda estão deslocados, incluindo mais de 1 milhão forçados a fugir de suas casas apenas no ano passado.

Para aqueles que optaram por retornar a Alepo desde o fim dos combates, o ACNUR e seus parceiros estão prestando assistência para ajudar as pessoas a retomar suas vidas. O auxílio inclui materiais de construção para ajudar a reabilitar casas, serviços médicos móveis, distribuição de colchões e cobertores e assistência jurídica com registros de nascimento e documentação civil.

(Com os serviços de informação da ONU em Nova Iorque e Genebra)


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