Síria: ONU elogia acordo que estabelece zona desmilitarizada em Idlib

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O acordo entre Turquia e Rússia para criar uma zona desmilitarizada em Idlib com o objetivo de proteger civis que vivem na cidade do noroeste da Síria foi elogiado nesta terça-feira (18) pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, e pelo chefe humanitário da Organização. Eles pediram que as partes em conflito garantam a efetividade do pacto.

O acordo, fechado pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, e pelo presidente russo, Vladimir Putin, na segunda-feira (17), tem como objetivo evitar uma operação militar de retomada da região que poderia se transformar em um “banho de sangue”, segundo disse o chefe da ONU na semana passada.

Devastação em bairro de Idlib, na Síria, em setembro de 2018. Foto: PMA

Devastação em bairro de Idlib, na Síria, em setembro de 2018. Foto: PMA

O acordo entre Turquia e Rússia para criar uma zona desmilitarizada em Idlib com o objetivo de proteger civis que vivem na cidade do noroeste da Síria foi elogiado nesta terça-feira (18) pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, e pelo chefe humanitário da Organização. Eles pediram que as partes em conflito garantam a efetividade do pacto.

Em comunicado, Guterres também pediu que todas as partes em conflito na Síria garantam o acesso humanitário desimpedido e seguro em todas as áreas do país, onde uma brutal guerra civil já dura mais de sete anos.

“O secretário-geral da ONU enfatiza a necessidade de ação rápida para enfrentar as causas do conflito e criar, finalmente, uma solução política duradoura em linha com a resolução 2254 do Conselho de Segurança”, disse o comunicado, divulgado por seu porta-voz.

O acordo, fechado pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, e pelo presidente russo, Vladimir Putin, na segunda-feira (17), tem como objetivo evitar uma operação militar de retomada da região que poderia se transformar em um “banho de sangue”, segundo disse o chefe da ONU na semana passada.

Último reduto dos rebeldes na Síria, metade da população de 3 milhões de pessoas de Idlib é formada por civis deslocados internamente e 1 milhão de crianças.

De acordo com informações da imprensa internacional, uma área de cessar-fogo de 15 a 20 km — a ser patrulhada por tropas russas e turcas — será estabelecida em 15 de outubro para separar as forças governamentais dos combatentes rebeldes baseados na região.

Ação militar só pioraria situação, diz enviado da ONU

O acordo também é bem-vindo em meio a uma escalada preocupante em outras partes do país, disse Staffan De Mistura, enviado especial da ONU para a Síria, ao Conselho de Segurança nesta terça-feira (18). Ele citou informações de novos ataques aéreos em Damasco e a derrubada de uma aeronave russa na segunda-feira (17) à noite, deixando 15 militares mortos.

A Rússia culpou Israel pelo incidente, enquanto Israel afirmou que sua aeronave visava um carregamento de armamentos para o Líbano, o que ameaçaria sua segurança. As forças de segurança israelenses emitiram um comunicado no Twitter manifestando consternação pelas mortes, culpando os militares sírios pela derrubada da aeronave russa. Israel também afirmou que irá compartilhar informações relevantes relacionadas ao incidente com o governo russo.

Ao Conselho de Segurança, o enviado da ONU pediu que todas as partes no conflito evitem ações militares, reiterando que estas apenas tornariam a situação mais complexa.

Sobre o acordo, o enviado da ONU afirmou que agora “não há razão para não se mover à frente” no processo político, tendo como base a resolução 2254 do Conselho de Segurança, que estabelece um caminho rumo a um acordo político no país.

“Precisamos de um processo político inclusivo, e a ONU está aqui para facilitar esse processo, começando com um comitê constitucional”, disse, lembrando que esse processo precisa ser confiável.

Desafios humanitários permanecem

O chefe humanitário das Nações Unidas, Mark Lowcock, disse ao Conselho de Segurança que as agências das Nações Unidas e organizações humanitárias continuam a entregar assistência a cerca de 2 milhões de pessoas no noroeste da Síria por meio de comboios enviados a partir da Turquia.

No entanto, a entrega de ajuda permanece difícil em outras partes do país, disse ele, particularmente em Rukban, onde a falta de segurança está prejudicando as operações de assistência.

Ele também citou “preocupações significativas” com a segurança de civis em Deir-ez-Zor, no leste da Síria, assim como com famílias deslocadas retornando de Raqqa, ex-bastião do grupo terrorista Estado Islâmico, apesar de a área permanecer altamente contaminada por explosivos.

“Esforços foram feitos para aumentar a ação contra os explosivos. No entanto, muito mais precisa ser feito antes de a cidade estar segura e apropriada para o retorno”, disse Lowcock.


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