Síria: ONU alerta para impacto ‘devastador’ do aumento da violência contra civis

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“Não podemos aguentar silenciosamente diante da violência indiscriminada e das violações dos direitos humanos internacionais e do direito humanitário internacional”, disseram Adama Dieng, assessor especial da ONU para a Prevenção do Genocídio, e Ivan Simonovic, assessor especial da organização para a Responsabilidade de Proteger.

Mais de metade da infraestrutura básica do país foi danificada ou destruída, e mais de 13 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária, como resultado do conflito de sete anos – agora mais longo do que a Segunda Guerra Mundial.

Pelo menos 13 sírios, incluindo duas crianças, perderam a vida para as temperaturas congelantes no leste do Líbano. Eles tentavam entrar no país vindos da Síria, informaram as agências humanitárias das Nações Unidas.

Uma rua em Douma, Ghouta Oriental, na Síria. Foto: UNICEF/Amer Al Shami

Uma rua em Douma, Ghouta Oriental, na Síria. Foto: UNICEF/Amer Al Shami

Preocupado com o impacto devastador da escalada da violência na Síria, onde dezenas de pessoas em Ghouta Oriental foram mortas em recentes ataques aéreos – e escolas e hospitais estão sendo destruídos deliberadamente –, funcionários do alto escalão das Nações Unidas ressaltaram a obrigação de todas as partes em conflito, bem como da comunidade internacional, de proteger os civis dos crimes “atrozes” em andamento.

“Não podemos aguentar silenciosamente diante da violência indiscriminada e das violações dos direitos humanos internacionais e do direito humanitário internacional”, disseram Adama Dieng, assessor especial da ONU para a Prevenção do Genocídio, e Ivan Simonovic, assessor especial da ONU para a Responsabilidade de Proteger, em uma declaração conjunta.

“Instamos todas as partes interessadas, incluindo o Conselho de Segurança, a condenar essa violência e exortamos as partes em conflito a garantir que os princípios básicos do direito humanitário sejam protegidos, em particular no que diz respeito à proporcionalidade e distinção.”

O pior impacto dos atuais combates ocorreu em Ghouta Oriental, próximo à capital Damasco, e Idlib, no noroeste do país – ambos designados como áreas livres da violência no processo de paz de Astana. “Os civis deveriam esperar um nível mínimo de segurança”, acrescentou a declaração.

No entanto, desde meados de novembro de 2017, as 393 mil pessoas estimadas em Ghouta Oriental foram submetidas a ataques aéreos e bombardeios quase que diariamente pelas forças governamentais e seus aliados. Os foguetes lançados por grupos armados de oposição em Ghouta Oriental, cujo alvo também eram áreas residenciais de Damasco, agravaram a situação.

No sul de Idlib e no norte da zona rural de Hama, onde a luta entre forças do governo e grupos de oposição – que controlam a maioria da província de Idlib – aumentou desde dezembro, mais de 200 mil civis foram deslocados e “um grande número de pessoas” foram mortas, estimou a ONU.

Além dos civis, instalações médicas também foram atacadas.

Entre 3 e 10 de janeiro, pelo menos quatro instalações de saúde e duas instalações educacionais foram atacadas, acrescentou o comunicado.

Na declaração, Dieng e Simonovic destacaram que ataques indiscriminados ou aqueles que visam diretamente civis ou objetos civis são uma violação dos princípios fundamentais do direito internacional humanitário.

“Todos os atores envolvidos no conflito na Síria têm a obrigação de garantir que esses princípios fundamentais sejam respeitados”, ressaltou a declaração.

Em toda a Síria devastada pela guerra, mais de 6 milhões de pessoas estão internamente deslocadas, muitas vezes deslocadas várias vezes. Mais de 5 milhões de sírios foram forçados a se tornar refugiados, atravessando a fronteira para outros países.

Ao mesmo tempo, as estimativas indicam que mais de metade da infraestrutura básica do país foi danificada ou destruída, e mais de 13 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária, como resultado do conflito de sete anos – agora mais longo do que a Segunda Guerra Mundial.

Crianças sírias enfrentam ‘temperaturas congelantes’ rumo ao Líbano

Pelo menos 13 sírios, incluindo duas crianças, perderam a vida para as temperaturas congelantes no leste do Líbano. Eles tentavam entrar no país vindos da Síria, informaram as agências humanitárias das Nações Unidas.

“Mais crianças podem estar entre os mortos, enquanto moradores da região e autoridades libanesas continuam procurando pessoas que, segundo notícias, estão presas nas montanhas em temperaturas congelantes e na neve”, disse Geert Cappelaere, diretor regional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) para o Oriente Médio e o Norte da África.

Nesta fotografia de arquivo, uma criança síria refugiada, com os pés apenas parcialmente cobertos de sandálias adultas, na neve em um assentamento de tendas informal no Líbano. Foto: UNICEF / Dar Al Mussawir

Nesta fotografia de arquivo, uma criança síria refugiada, com os pés apenas parcialmente cobertos de sandálias adultas, na neve em um assentamento de tendas informal no Líbano. Foto: UNICEF / Dar Al Mussawir

“Os povos sírios continuam a arriscar suas vidas e a vida de seus filhos em busca desesperada de segurança e abrigo”, acrescentou.

O trágico incidente ocorreu durante uma tempestade na noite de quinta-feira (18 a 19 de janeiro) perto da fronteira de Masna, entre o Líbano e a Síria. As vítimas estavam tentando atravessar uma passagem árdua e acidentada.

De acordo com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), outros no grupo, incluindo uma mulher grávida, foram descobertos a tempo e auxiliados por residentes próximos e pelas Forças Armadas Libanesas e a Defesa Civil. Nesse caso, eles conseguiram chegar aos hospitais antes de congelarem até a morte.

Cappelaere também disse que o UNICEF distribuiu cobertores, roupas quentes e combustível para aquecer escolas e ajudar as famílias a lidar com o inverno severo na Síria e em outros países da região.

No entanto, a falta de financiamento é um desafio para a continuidade da ajuda.

Até agora, o UNICEF recebeu apenas metade do financiamento necessário para a resposta do inverno. Caso o financiamento urgente não chegue, a agência da ONU não poderá alcançar as quase 800 mil crianças com assistência no inverno.

Destacando que a morte de duas crianças sírias é um “lembrete” de que muito mais precisa ser feito. Cappelaere oediu o fim de conflitos brutais e maior apoio para crianças vulneráveis.

“Não temos desculpa. Não podemos continuar falhando com crianças”, disse ele.


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