Síria: Obstáculos à assistência médica colocam vida da população em risco

Três crianças morreram após uma explosão, pois não puderam ser socorridas e evacuadas. Materiais médicos têm sido apreendidos de comboios humanitários. Algumas regiões permanecem sob cerco, como Douma, onde mais de 90 mil pessoas precisam de assistência. ONU teme que negociações sobre ajuda humanitária “percam o fôlego”.

Assistência médica à população da Síria é um desafio para organizações humanitárias. Foto: Defesa Civil de Idlib

Assistência médica à população da Síria é um desafio para organizações humanitárias. Foto: Defesa Civil de Idlib

Na semana passada (1), o conselheiro especial do enviado da ONU para a Síria, Jan Egeland, lamentou que organizações humanitárias continuem sem acesso a algumas regiões do país, como Douma, onde mais de 90 mil pessoas precisam de assistência.

A atual conjuntura está “frustrando” diplomatas, segundo Egeland. O dirigente também criticou a apreensão de materiais de saúde dos comboios que já foram autorizados.

Em Madaya – cidade onde a ajuda humanitária já chegou –, três crianças morreram porque a evacuação de emergência dos jovens não foi permitida. Além da interdição da prestação de socorro, equipamentos cirúrgicos têm sido retirado dos caminhões que levam assistência e áreas sob cerco não recebem atendimento médico. A situação viola o que está previsto pelo direito internacional.

As crianças “estavam brincando com uma bomba não detonada, elas ficaram gravemente feridas, mas elas não morreram (por causa da explosão)”, explicou Egeland sobre as circunstâncias das mortes, resultantes dos obstáculos impostos à assistência médica.

O conselheiro especial explicou que as operações humanitárias na Síria estão sendo realizadas num ambiente mais favorável do que há um ano, quando apenas uma das 18 áreas sitiadas era aberta a organizações de assistência.

Atualmente, agências têm acesso a 12 dessas regiões e novos locais têm sido liberados. Acordos recentes definiram que Arbeen, Zamalka e Zabadin também poderão receber ajuda. Lançamentos aéreos de suprimentos em Deir Ez Zor – zona sob controle do grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) – devem começar em duas semanas.

Apesar desses avanços, Douma, Darayya e Harasta Oriental permanecem foram do alcance de organizações humanitárias e “não há nenhum sinal” de que serão liberadas. “Não vou esconder que nós agora tememos perder parte do ‘fôlego’ que obtivemos após o encontro de Munique”, disse Egeland.

O acordo firmado na cidade alemã liberou o acesso a diversas regiões sob cerco. Questões de segurança, atrasos e problemas administrativos continuam sendo empecilhos.

O pronunciamento de Egeland veio após uma reunião do Grupo Internacional de Apoio à Síria, que se encontrará novamente ainda nessa semana. “Minha mensagem clara foi de que todos os países que têm influência (sobre as partes do conflito), não apenas a Rússia, têm que nos ajudar”, disse o dirigente, que pediu ao governo e à oposição que superem impasses.

“Temos que continuar levando assistência às áreas sitiadas remanescentes e não podemos permitir que serviços médicos sejam excluídos”, ressaltou.