Síria: negociações apoiadas pela ONU seguem até meados de dezembro

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Não será “apenas uma rodada normal de negociações”. Esta é a análise de Staffan de Mistura, o enviado especial das Nações Unidas para a Síria, que insistiu que não deve haver condições prévias para a atual rodada de discussões destinadas a resolver o conflito sírio. A guerra já dura mais de seis anos e resultou em um imenso sofrimento humano. “Estamos falando sobre as regras do jogo e, portanto, reafirmamos: sem pré-condições.”

Uma das bombas de água manual em torno do leste de Ghouta serve como uma das poucas fontes de água na área sitiada. A água não é testada nem purificada por falta de recursos, devido à insegurança. Foto: UNOCHA

Uma das bombas de água manual em torno do leste de Ghouta serve como uma das poucas fontes de água na área sitiada. A água não é testada nem purificada por falta de recursos, devido à insegurança. Foto: UNOCHA

Não será “apenas uma rodada normal de negociações”. Esta é a análise de Staffan de Mistura, o enviado especial das Nações Unidas para a Síria, que insistiu na última quinta-feira (30) que não deve haver condições prévias para a atual rodada de discussões destinadas a resolver o conflito sírio. A guerra já dura mais de seis anos e resultou em um imenso sofrimento humano.

“Estamos falando sobre as regras do jogo e, portanto, reafirmamos: sem pré-condições”, disse Mistura a repórteres em Genebra, depois de se encontrar com o governo e as delegações da oposição.

A rodada atual de negociações será realizada em meio a “uma intensa atividade diplomática” nas últimas semanas para encontrar uma solução política para a crise da Síria, após reuniões importantes no Vietnã, Rússia e Arábia Saudita.

Após as perdas territoriais do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (também conhecido como ISIL/Da’esh) em Raqqa e Deir ez-Zor, “tem havido agora um momento de verdade; precisamos encontrar uma solução política”, ressaltou Mistura.

Se pré-condições são colocadas, acrescentou, “imediatamente interrompo a conversa e digo: ‘desculpe, você já ouviu o que o Conselho de Segurança disse, você já ouviu o que de fato muitos líderes políticos disseram? Sem pré-condições, vamos começar as discussões novamente agora’.”

O mediador da ONU observou que o fato de que as partes em guerra ainda não estão se reunindo na mesma sala não é de modo algum negativa. O que é importante, acrescentou, é a “substância” e a busca de “pontos comuns” entre as duas delegações.

Ele também esclareceu que, durante as negociações, a questão da Presidência não surgiu.

“Não discutimos a questão da Presidência. Nós estamos discutindo os 12 pontos, princípios, e vocês verão que eles são de natureza ampla, mas eles têm um impacto em tudo na futura Constituição; e começamos a abordar a questão sobre como proceder para uma nova Constituição. Então, essa questão nem sequer surgiu”, disse Mistura. “A questão deveria surgir com os sírios através das eleições supervisionadas pela ONU de acordo com o Conselho de Segurança [resolução 2254 (2015)].”

Ele também anunciou que as negociações foram prorrogadas até meados de dezembro.

O enviado especial da ONU, Staffan de Mistura. Foto: ONU/Violaine Martin

O enviado especial da ONU, Staffan de Mistura. Foto: ONU/Violaine Martin

Além disso, na quinta-feira (30), Jan Egeland, assessor especial da ONU para a Síria, apelou para esforços maiores e mais urgentes para permitir evacuações seguras de cerca de 500 pessoas, incluindo 167 crianças, sitiadas no leste de Ghouta, nos arredores de Damasco.

“Homens com poder estão sentados com listas de crianças que precisam urgentemente ser evacuadas; se não quiserem, muitas delas morrerão; e ainda não temos luz verde”, disse Egeland, expressando a esperança de que as evacuações sejam possíveis com a aprovação do governo, apesar da insegurança, acrescentando que a calma poderia ser negociada com ambos os lados.

“É de partir o coração; é intolerável. Será uma mancha na nossa consciência por muito, muito tempo, a menos que possa acontecer muito em breve. Foi-me dito hoje que nove pacientes dessa lista morreram”, acrescentou.

De acordo com as últimas estimativas, mais de 400 mil pessoas estão presas no leste de Ghouta, cortadas de alimentos e ajuda de socorro muito necessários.

“A evidência disponível sugere que as taxas severas de desnutrição aguda entre as crianças no leste de Ghouta aumentaram cinco vezes nos últimos dez meses”, disse Mark Lowcock, coordenador humanitário da ONU, durante reunião na quarta-feira (29) no Conselho de Segurança.

As mortes de pessoas, especialmente as crianças, podem ser evitadas se os comboios de ajuda puderem ser ampliados e tornados mais regulares, disse. “Neste contexto, as notícias nos últimos dois dias de um cessar-fogo no leste de Ghouta seriam, se verdadeiras e se sustentadas, importantes.”


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