Síria: mais de 80 mil pessoas deixaram Ghouta Oriental em duas semanas

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Agências humanitárias querem acesso urgente para ajudar 16,5 mil moradores sitiados na área de Duma. Acesso à região isolada do noroeste de Damasco preocupa entidades de auxílio.

Chefe humanitário das Nações Unidas alertou que mais de 1.700 pessoas foram mortas nas operações militares e ataques aéreos na região de Ghouta Oriental.

Fila de pessoas para receber ajuda humanitária em Ghouta Oriental. Foto: UNICEF/Al-Mohibany

Fila de pessoas para receber ajuda humanitária em Ghouta Oriental. Foto: UNICEF/Al-Mohibany

Cerca de 80 mil sírios fugiram da região de Ghouta Oriental desde 9 de março, alertou nessa semana as Nações Unidas.

Desse número, 50,7 mil pessoas deixaram a região para viver em oito abrigos coletivos na zona rural de Damasco, capital do país, onde as condições são “muitas vezes terríveis” devido à superlotação e à falta de saneamento.

O Escritório da ONU de Coordenação Humanitária (OCHA) destaca que uma série de acordos locais permitiu que várias pessoas saíssem de diferentes áreas do interior de Ghouta Oriental – exceto da cidade de Duma, a única parte sitiada.

A continuação de confrontos em Duma piorou a situação humanitária, daí o apelo da ONU e dos seus parceiros para que todas as partes do conflito permitam um acesso urgente de auxílio já disponível para 16,5 mil moradores.

Pelo menos US$ 115 milhões são necessários para responder à situação com ajuda essencial e serviços de proteção de deslocados. A ideia é oferecer abrigos na zona rural de Damasco e em áreas de Ghouta Oriental, onde ocorreu uma mudança no controle.

O OCHA anunciou que existe um déficit de financiamento de US$ 74 milhões e que é preciso mais apoio financeiro para ajudar pessoas retiradas para Idlib.

Na terça-feira (27) o chefe humanitário das Nações Unidas, Mark Lowcock, disse que os ataques a infraestruturas civis críticas, como instalações médicas, continuam a ser relatados, com pelo menos 28 ataques registrados em instalações de saúde desde meados de fevereiro e mais de 70 incidentes verificados desde o início deste ano.

Falando aos integrantes do Conselho de Segurança, ele alertou que mais de 1.700 pessoas foram mortas nas operações militares e ataques aéreos. O representante da ONU descreveu os últimos meses de derramamento de sangue implacável como “alguns dos piores” para civis dentro da guerra.

“Dezenas de milhares de pessoas também foram deslocadas de todo o país devastado pela guerra e muitas estão vivendo em abrigos superlotados e mal equipados. Há também uma grave escassez de água, saneamento e instalações de higiene, bem como crescentes preocupações com a proteção”, disse.

Lowcock disse ao Conselho de 15 membros que as agências da ONU e seus parceiros estão trabalhando tanto quanto as condições permitem para fornecer apoio às pessoas necessitadas. Os desafios vão desde segurança física para trabalhadores humanitários e a luta contínua até a negação de acesso e a falta de recursos.

Conselho de Direitos Humanos renova mandato de comissão de investigação

Em março, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, com sede em Genebra, realizou um debate urgente sobre a deterioração da situação em Ghouta Oriental.

O Conselho adotou, em 5 de março, por 29 votos a favor, 4 contra e 14 abstenções, uma resolução solicitando à Comissão de Inquérito sobre a Síria que conduza “urgentemente” uma investigação abrangente e independente sobre o tema, bem como o fornecimento de uma atualização da situação ao Conselho em sua sessão de junho.

Numa outra resolução sobre a situação dos direitos humanos na Síria, aprovada em 23 de março por 27 votos a favor, 4 contra e 16 abstenções, o Conselho prorrogou por um ano o mandato da Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a República Árabe Síria, e pediu que a Comissão apresentasse uma atualização oral ao Conselho em sua sessão de junho, bem como relatórios escritos.


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