Síria: mais de 11 milhões de pessoas precisarão de ajuda humanitária em 2019

Níveis desconcertantes de necessidades humanitárias ainda persistem na Síria, afirmou na terça-feira (26) o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) a membros do Conselho de Segurança.

De janeiro a dezembro do ano passado, cerca de 25 mil pessoas foram deslocadas da província de Deir-ez-Zor, no sudeste do país, para o acampamento de Al Hol. A situação humanitária em Rukban também continua se deteriorando. Assistência humanitária adicional está sendo preparada para acomodar 42 mil pessoas.

Além disso, intensas inundações no nordeste e noroeste destruíram abrigos em acampamentos para pessoas deslocadas internamente. Em Idlib, mudanças de controle em algumas áreas levaram à suspensão de fundos, reduzindo serviços de saúde para alguns civis.

Crianças têm aulas em tenda em Idlib, norte da Síria. Emergências humanitárias privam crianças de saúde, nutrição, acesso a água e saneamento, educação e outras necessidades básicas. Foto: UNICEF/Watad

Crianças têm aulas em tenda em Idlib, norte da Síria. Emergências humanitárias privam crianças de saúde, nutrição, acesso a água e saneamento, educação e outras necessidades básicas. Foto: UNICEF/Watad

Níveis desconcertantes de necessidades humanitárias ainda persistem na Síria, afirmou na terça-feira (26) o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) a membros do Conselho de Segurança.

Falando em nome do chefe humanitário da ONU, Mark Lowcock, a diretora do OCHA para Operações e Advocacia, Reena Ghelani, afirmou que 11,7 milhões de pessoas irão precisar neste ano de assistência humanitária na Síria.

Quase oito anos após protestos em massa contra o governo Sírio em 2011, Ghelani buscou retratar como é a vida para cerca de 41 mil pessoas deslocadas, em maioria crianças e mulheres, no acampamento de Rukban. O acampamento, próximo à fronteira entre Síria e Jordânia, é palco de “uma terrível situação humanitária”, onde pessoas lutam por sobrevivência, enfrentam fome e não têm como atender as necessidades mais básicas.

A ONU e o Crescente Vermelho Árabe Sírio entregaram ajuda essencial como parte do maior comboio de toda a guerra, fornecendo vacinas e itens logísticos em 133 caminhões durante missão de dez dias mais cedo neste mês. Apesar disso, “a gravidade da situação para civis em Rukban significa que acesso humanitário precisa ir adiante”, explicou, destacando que suprimentos devem durar apenas 30 dias.

Além disso, Ghelani ressaltou que pessoas deslocadas internamente expressaram preocupações por falta de documentação e segurança, especialmente envolvendo detenção e recrutamento militar.

A ONU permanece extremamente preocupada com civis que estão nas últimas áreas tomadas pelo Estado Islâmico na província de Deir-ez-Zor, no sudeste, e com aqueles que conseguem fugir de conflito, disse Ghelani ao Conselho.

Ela destacou que, desde o final do ano passado, mais de 37 mil pessoas fugiram de Hajin para o acampamento Al Hol, onde “três quartos de toda a população agora são formados por mulheres e crianças com menos de cinco anos”. Além disso, milhares de pessoas devem chegar ao acampamento nos próximos dias.

“Esforços de resposta estão sendo intensificados no acampamento Al Hol, mas também em Hajin e áreas próximas, apesar de consideráveis desafios envolvendo segurança”, disse. A ONU havia estabelecido um centro de trânsito na metade do caminho entre Hajin e Al Hol.

Enquanto isso, embora o acordo de zona desmilitarizada entre Turquia e Rússia tenha cessado um agravamento imediato em confrontos no último enclave rebelde na Síria, dezenas de civis ainda morreram ou foram feridos por conflito nas últimas semanas. O acordo teve objetivo de proteger milhões de civis em Idlib.

Ghelani agradeceu doadores pelo apoio de 5 bilhões de dólares em 2018 e pediu para Estados-membros garantirem financiamento em 2019 para operações humanitárias na Síria e países vizinhos que acolhem refugiados.

De janeiro a dezembro do ano passado, cerca de 25 mil pessoas foram deslocadas da província de Deir-ez-Zor, no sudeste do país, para o acampamento de Al Hol. A situação humanitária em Rukban também continua se deteriorando. Assistência humanitária adicional está sendo preparada para acomodar 42 mil pessoas.

Além disso, intensas inundações no nordeste e noroeste destruíram abrigos em acampamentos para pessoas deslocadas internamente. Em Idlib, mudanças de controle em algumas áreas levaram à suspensão de fundos, reduzindo serviços de saúde para alguns civis.

Organizações humanitárias continuaram relatando ataques contra instalações educacionais e médicas, incluindo oito incidentes mirando escolas e hospitais.

Assistência humanitária da ONU alimentou uma média de 3,37 milhões de pessoas a cada mês e forneceu tratamento para quase 3 milhões de pessoas. A ONU e organizações não governamentais continuam fornecendo assistência para mais de 700 mil pessoas a cada mês na região nordeste do país.