Síria: Impasse só terá fim com novos esforços diplomáticos, diz presidente do Conselho de Segurança

Na Rússia, realização da Cúpula do G20 – onde líderes políticos também discutirão a crise na Síria – traz esperanças para um avanço na frente diplomática.

Embaixador da Austrália e presidente do Conselho de Segurança da ONU durante este mês, Gary Quinlan, informa jornalistas sobre o programa do Conselho para setembro. Foto: ONU/JC Mcllwaine

Embaixador da Austrália e presidente do Conselho de Segurança da ONU durante este mês, Gary Quinlan, informa jornalistas sobre o programa do Conselho para setembro. Foto: ONU/JC Mcllwaine

Com o Conselho de Segurança das Nações Unidas em um impasse sobre a crise na Síria, o foco do mundo agora se desloca de Nova York para São Petersburgo, na Rússia, onde os líderes políticos se reúnem na Cúpula do G20 para abordar, entre outros temas, a crise na esperança de um avanço na frente diplomática, disse o embaixador australiano e atual presidente do Conselho, Gary Quinlan, na sede da ONU nesta quarta-feira (4).

Quinlan informou à imprensa o programa do Conselho para setembro, respondeu inúmeras perguntas sobre a situação na Síria e quais ações poderão ser tomadas para acabar com o derramamento de sangue. “Todos estão paralisados em relação à Síria. As pessoas estão preocupadas com a investigação da ONU [sobre a utilização de armas químicas], como ela vai proceder e quão rápido ela pode trazer respostas e preservar a sua integridade científica”, disse ele.

“O impasse entre os principais membros do Conselho é óbvio. A discussão entre os P-5 não deu em nada”, disse Quinlan se referindo às negociações do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, realizadas na semana passada com embaixadores da China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos – os membros permanentes do Conselho, ou “P-5” – em relação à coleta de amostras pela equipe da ONU em Damasco, onde foi teriam sido usadas armas químicas.

Quinlan afirmou que o foco do G20 mudou, em especial por causa da presença do secretário-geral na reunião. Mesmo a Síria não estando na agenda oficial do encontro, ficou claro que o assunto seria discutido. “Eu acredito que a maioria de nós concluiu que não seria produtivo ou útil ter uma reunião do Conselho de Segurança de uma maneira formal, porque não vai dar em nada.”

Quinlan disse que os membros do Conselho expressaram preocupação com a situação humanitária na Síria, especialmente em relação aos refugiados e às pessoas deslocadas internamente.

“Não é nenhum segredo que alguns países, especialmente Luxemburgo e Austrália, têm tomado a dianteira sobre o assunto dentro do Conselho”, disse o embaixador, acrescentando que devem ser feitos esforços para se obter um acesso melhor e mais amplo para a ajuda humanitária, buscando maneiras de superar obstáculos burocráticos como vistos e autorizações.

Embora a questão das armas químicas esteja em primeiro plano, Quinlan afirmou que o Conselho precisa voltar para a questão humanitária o mais rápido possível, “porque ela está ficando pior a cada dia”.