Síria: há risco de vida ao permanecer ou fugir da cidade de Qusayr, alerta ONU

Nenhuma rota para sair da cidade é considerada segura. Relatos apontam que combatentes miram os que tentam fugir e que entre 700 e 1.500 civis feridos foram presos no local.

Esta família fugiu da cidade síria de Qusayr. Foto: ACNUR/ A. Blazy

Esta família fugiu da cidade síria de Qusayr. Foto: ACNUR/ A. Blazy

A ONU alertou nesta terça-feira (4) para as condições na cidade de Qusayr, na região oeste da Síria. De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), refugiados sírios que seguiram para o Líbano afirmaram que a cidade está gravemente danificada e que as condições de vida são extremamente difíceis.

Os refugiados descreveram o local como uma “cidade fantasma, fortemente danificada e abalada pela guerra”, disse a porta-voz do ACNUR, Melissa Fleming, para jornalistas em Genebra, na Suíça.

A agência recebeu relatos de que em Qusayr as pessoas estão se escondendo em bunkers ou buracos escavados como abrigos. Uma senhora disse que sua família não poderia deixar o seu buraco por uma semana e tiveram que viver sem a comida que tinham trazido com eles, disse Fleming.

“Observando as entrevistas que fizemos até agora, parece que uma nova rota para as pessoas deslocadas se abriu da área de Qusayr para Arsal no Líbano, com cerca de 100 quilômetros de distância”, Fleming observou. A porta-voz também disse que algumas pessoas fogem para o Líbano, enquanto outras são deslocadas internamente para cidades como Rankous, Dahel, Qara, Flita e Nabek.

Os refugiados – a maioria mulheres e crianças – disseram que a difícil jornada até a fronteira tem que ser feita a pé. “Segundo relatos, os combatentes miram pessoas que tentam fugir. Nenhuma rota para sair de Qusayr é considerada segura, e há relatos continuados de entre 700 e 1.500 civis feridos presos na cidade”, disse Fleming.

Segundo a porta-voz, uma mulher disse ao ACNUR que as pessoas são confrontadas com a seguinte escolha: “Você sai e corre o risco de ser morto… ou você fica e enfrenta a certeza de ser morto”.

A agência ressaltou que não tem acesso à cidade e os relatos dos refugiados são difíceis de verificar, mas que mesmo assim compartilha a preocupação de outras pessoas sobre a grave situação humanitária e os riscos para a população civil.

Desde março de 2011, a luta entre o governo sírio e as forças de oposição que buscam derrubar o presidente Bashar Al-Assad já matou pelo menos 80 mil pessoas e deixou 6,8 milhões de pessoas em necessidade humanitária. Além disso, a ONU estima que mais de 1,6 milhão de sírios fugiram de seu país para escapar dos conflitos.