Síria: Guterres pede fim da ‘carnificina’ e das violações do direito internacional

Agências da ONU enfatizaram seu compromisso de continuar apoiando civis afetados pela guerra na Síria, que neste mês entra em seu décimo ano. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, declarou nesta quinta-feira (12) que “não podemos permitir que o décimo ano resulte na mesma carnificina, na mesma violação de direitos humanos e do direito internacional humanitário”.

“O conflito na Síria está entrando no seu décimo ano. Uma década de confrontos não trouxe nada além de ruína e miséria. E os civis estão pagando o preço mais alto. Não há solução militar. Agora é a hora de dar à diplomacia a chance de trabalhar.”

Mãe segura seus dois filhos em Alepo, na Síria, cidade destruída pela guerra. Foto: UNICEF

Mãe segura seus dois filhos em Alepo, na Síria, cidade destruída pela guerra. Foto: UNICEF

Agências da ONU enfatizaram seu compromisso de continuar apoiando civis afetados pela guerra na Síria, que neste mês entra em seu décimo ano. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, declarou nesta quinta-feira (12) que “não podemos permitir que o décimo ano resulte na mesma carnificina, na mesma violação de direitos humanos e do direito internacional humanitário”.

Guterres destacou a necessidade de uma solução pacífica para a crise em uma mensagem postada em sua conta no Twitter.

“O conflito na Síria está entrando no seu décimo ano. Uma década de confrontos não trouxe nada além de ruína e miséria. E os civis estão pagando o preço mais alto. Não há solução militar. Agora é a hora de dar à diplomacia a chance de trabalhar”, escreveu.

No total, mais de 11 milhões de pessoas em toda a Síria precisam de ajuda, quase metade delas crianças, de acordo com as estimativas mais recentes.

Os combates deslocaram mais de 6 milhões de pessoas dentro da Síria, às vezes repetidamente, enquanto outros 5 milhões de sírios vivem como refugiados nos países vizinhos.

“O conflito sírio entrou no seu décimo ano, mas a paz ainda é muito ilusória. O conflito brutal exigiu um custo humano desmedido e causou uma crise humanitária de proporções monumentais”, disse Guterres.

“Milhões de civis continuam enfrentando riscos de proteção. Vimos nove anos de atrocidades terríveis, incluindo crimes de guerra. Nove anos de violações dos direitos humanos em escala maciça e sistemática, corroendo as normas internacionais para novos níveis de crueldade e sofrimento.”

“Dezenas de milhares estão desaparecidos, detidos, submetidos a maus-tratos e tortura. Há incontável número de mortos e feridos. Não deve haver impunidade por crimes tão horríveis”, disse o chefe da ONU.

A “simplicidade brutal” desses números esconde a complexidade da crise, segundo o coordenador humanitário da ONU, Mark Lowcock.

“No noroeste, mulheres e crianças estão dormindo ao relento e fugindo de bombas. No nordeste, as crianças passaram a vida inteira em campos. Em outras partes do país, as perspectivas das pessoas e a esperança para o futuro estão sendo gradualmente corroídas diante da crise econômica”, disse ele.

Atendimento de saúde sob ataque

A situação na província de Idlib, no noroeste da Síria, continua sendo uma preocupação premente para a comunidade humanitária.

Um ataque do governo contra grupos terroristas, lançado em dezembro, levou quase 1 milhão de pessoas para fora de suas casas e para áreas perto da fronteira com a Turquia.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que apenas metade das 550 unidades de saúde da região permanece aberta quase uma década após o início da guerra.

A Síria representa um dos piores casos de sistemas de saúde afetados por conflitos, segundo a agência, com um total de 494 ataques registrados entre 2016 e 2019, principalmente no noroeste.

Durante o mesmo período, 470 pessoas foram mortas em ataques a instalações de saúde.

“O que é preocupante é que chegamos a um ponto em que os ataques à saúde — algo que a comunidade internacional não deveria tolerar — são agora dados como garantidos; algo a que nos acostumamos”, disse Richard Brennan, diretor regional de emergências da OMS no Mediterrâneo Oriental. “E eles ainda estão acontecendo.”

A ajuda é entregue a Idlib por meio de uma operação transfronteiriça da Turquia, que foi ampliada à medida que as necessidades aumentam.

O Conselho de Segurança da ONU autorizou o mecanismo transfronteiriço pela primeira vez em 2014 e, em janeiro passado, os caminhões levaram assistência alimentar suficiente para cerca de 1,4 milhão de pessoas. Também transportaram suprimentos de saúde para quase meio milhão de pessoas e itens não alimentícios para 230 mil — mais do que qualquer outro mês desde o início do processo.

Enquanto estava na Turquia, na semana passada, a chefe do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) visitou o centro de logística humanitária em Bab Al Hawa, localizado na fronteira com a Síria.

“Enviar ajuda através das fronteiras da Síria tem sido a tábua de salvação para famílias vulneráveis”, disse a diretora-executiva da UNICEF, Henrietta Fore, no sábado (7), na conclusão de sua visita de dois dias.

Financiamento salva vidas

A ONU e seus parceiros estão buscando 3,3 bilhões de dólares para a resposta humanitária na Síria este ano.

Também serão necessários 5,2 bilhões de dólares adicionais para apoiar os refugiados sírios e as comunidades anfitriãs em toda a região.

No ano passado, as equipes humanitárias atenderam mais de 6 milhões de pessoas todos os meses em toda a Síria. Prometem que, com apoio, atenderão o maior número possível de pessoas este ano.

“O povo da Síria precisa que o direito internacional humanitário seja respeitado”, disse Lowcock, enfatizando a posição da ONU de que uma solução política é a única maneira de resolver o conflito.

“Enquanto isso, a ONU continuará ajudando o maior número possível de pessoas, onde quer que estejam. As vidas podem ser salvas e o sofrimento aliviado quando há financiamento.”