Síria: falta de acesso à água em Damasco cria riscos às crianças, alerta UNICEF

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O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertou na semana passada (6) para um potencial aumento de doenças diarreicas entre crianças em Damasco, na Síria. Há duas semanas, milhões de pessoas estão sem abastecimento de água devido a ataques que atingiram a infraestrutura da região.

Crianças da escola Ibn Hazm, em Damasco, recebem água pela primeira vez em quase duas semanas, depois que o UNICEF iniciou o transporte de emergência para 50 escolas da região.  Foto: UNICEF/Muhannad Al- Asadi

Crianças da escola Ibn Hazm, em Damasco, recebem água pela primeira vez em quase duas semanas, depois que o UNICEF iniciou o transporte de emergência para 50 escolas da região. Foto: UNICEF/Muhannad Al- Asadi

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertou na semana passada (6) para um potencial aumento de doenças diarreicas entre crianças em Damasco, na Síria. Há duas semanas, milhões de pessoas estão sem abastecimento de água devido a ataques que atingiram a infraestrutura da região.

De acordo com o porta-voz do UNICEF, Christophe Boulierac, embora distribuidores privados estejam fornecendo água, a qualidade do recurso vendido é desconhecida e o preço não é regulamentado.

“Os residentes conseguem acessar a água por até duas horas a cada três ou quatro dias por conta do racionamento de água. No entanto, muitos se voltaram para distribuidores privados, e nem o preço nem a qualidade desses recursos são regulamentados, suscitando preocupações sobre o risco de doenças transmitidas pela água entre as crianças. Em muitas áreas, as famílias estão pagando até 12 dólares por apenas mil litros”, alertou Boulierac.

O UNICEF também relatou que as crianças estão assumindo o fardo da coleta de água para suas famílias, e que a maioria andava pelo menos meia hora para obter água na mesquita ou instalação pública mais próxima. Além disso, elas esperam na fila por até duas horas em temperaturas muito baixas.

Até agora, UNICEF e parceiros reabilitaram e equiparam 120 poços artesianos em Damasco e arredores, a fim de fornecer um terço das necessidades diárias de água dos residentes.

Após os danos provocados pelo conflito, a agência da ONU também forneceu geradores e combustível para aumentar a produção de água para 3,5 milhões de pessoas. Na semana passada, o transporte diário de água continuou para 50 escolas em Damasco, a fim de alcançar 30 mil crianças.

Todavia, essas soluções são apenas temporárias. O UNICEF e seus parceiros estão dispostos a apoiar o trabalho de reparação em fontes e redes danificadas assim que o acesso for autorizado.

A agência da ONU pediu a todas as partes no conflito quem cumpram suas obrigações no âmbito do direito humanitário internacional e protejam todas as infraestruturas civis, incluindo as instalações de água.

O porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tarik Jasarevic, acrescentou que uma vez que as equipes tiverem acesso aos serviços públicos de água, seria necessário um mínimo de quatro dias ou mais para concluir os reparos, dependendo da natureza do dano.

Ele também observou que algumas pessoas estão usando fontes de água perto de um rio em Damasco, e que a água ainda não foi testada para a segurança bacteriana.


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