Síria: Diplomatas concordam com ‘cessação das hostilidades’; ONU alerta para situação em Aleppo

Grupo Internacional de Apoio à Síria se reuniu em Munique e definiu detalhes do cessar-fogo acordado e da entrega de ajuda humanitária a áreas sitiadas. Acordo deve entrar em vigor a partir da semana que vem.

Destruição na cidade velha de Aleppo, na Síria. Foto: UNESCO

Destruição na cidade velha de Aleppo, na Síria. Foto: UNESCO

Em meio ao alerta do chefe de direitos humanos da ONU acerca da violência “chocante” e os abusos dentro e no entorno da cidade de Aleppo e em outras partes da Síria, diplomatas reunidos em Munique entraram em acordo sobre uma “cessação das hostilidades” em todo o país.

Um comunicado emitido nesta quinta-feira (11) à noite por um porta-voz da ONU definiu os detalhes do acordo alcançado em Munique pelo Grupo Internacional de Apoio à Síria (ISSG, na sigla em inglês), que trabalha desde novembro para garantir um cessar-fogo geral e negociações políticas sírias. O ISSG é formado pela Liga Árabe, União Europeia, Nações Unidas, China, Egito, França, Alemanha, Irã, Iraque, Itália, Jordânia, Líbano, a Organização para a Cooperação Islâmica, Omã, Catar, Rússia, Arábia Saudita, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e EUA.

Segundo o comunicado do ISSG, “para acelerar a entrega urgente de ajuda humanitária, a entrega sustentada da assistência deve começar esta semana” em sete áreas sitiadas na Síria, incluindo a cidade de Madaya, que atraiu a atenção mundial recentemente depois que os trabalhadores da ONU e da Cruz Vermelha fizeram relatos de pessoas morrendo de fome ou sendo mortas tentando fugir.

O comunicado explica que a cessação das hostilidades começará em uma semana, “após a confirmação pelo Governo e oposição síria, após consultas adequadas na Síria”. Durante essa semana, uma força-tarefa do ISSG desenvolverá modalidades para o cumprimento do cessar-fogo.

O Grupo de Apoio também concordou que a cessação das hostilidades deve aplicar-se a todas as partes atualmente envolvidas em hostilidades militares ou paramilitares “contra qualquer outro grupo que não o Da’esh, o Jabhat al-Nusr ou outros grupos designados como organizações terroristas” pelo Conselho de Segurança da ONU.

Situação em Aleppo e em outras partes da Síria é ‘grotesca’, diz chefe de direitos humanos da ONU

Também na quinta-feira (11), o chefe das Nações Unidas para os direitos humanos manifestou “extremo alarme” com a situação dos direitos humanos na Síria, que segundo ele se encontra em “rápida deterioração”.

“Violações chocantes e abusos são cometidos diariamente”, disse Zeid Ra’ad Al Hussein, alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, se referindo à situação na cidade de Aleppo e em outras partes do país. “Condeno estes atos horrendos de forma inequívoca”, acrescentou Zeid, por meio de um comunicado.

“As partes em conflito na Síria estão se afundando cada vez mais, aparentemente sem se importar nem um pouco com a morte e a destruição que eles estão levando a todo o país. Mulheres e crianças, idosos, feridos e doentes, pessoas com deficiência estão sendo usadas como moeda de troca e bucha de canhão dia após dia, semana após semana, mês após mês. É uma situação grotesca”, alertou.

“Desde que a última ofensiva promovida pelas forças do governo começou na semana passada em Aleppo, segundo relatos acompanhada por numerosos ataques aéreos de aviões russos e sírios, cerca de 51 mil civis foram deslocados e outros 300 mil estão em risco de ficarem sitiados”, disse Zeid, acrescentando que dezenas de civis teriam sido mortos desde o dia 1o de fevereiro.

Segundo o representante da ONU, o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) também recebeu inúmeros relatos de destruição de infraestrutura civil, incluindo pelo menos três clínicas e duas padarias, desde o lançamento desta última rodada de hostilidades. Leia mais aqui.