Síria corre risco iminente de guerra civil, afirma Secretário-Geral da ONU

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou hoje (07/06) na Assembleia Geral que a Síria corre o risco iminente de uma guerra civil. Ele ainda criticou o Governo sírio de Bashar Al-Assad por mostrar poucas evidências de estar comprometido com a plena implementação do plano de seis pontos do Enviado Especial Conjunto da ONU e da Liga dos Países Árabes, Kofi Annan.

O plano pede fim da violência, acesso de agências humanitárias para prestar socorro aos necessitados, libertação dos detidos, início de um diálogo político inclusivo com o povo sírio e acesso irrestrito dos meios de comunicação internacionais ao país.

O Secretário-Geral e outras autoridades da Organização pediram que a comunidade internacional aja para acabar com a crise. “A situação da Síria contínua a deteriorar. Cada dia parece trazer novas adições ao catálogo sombrio de atrocidades.”

“A incapacidade de ambos, regime e oposição, engajarem-se em um significativo diálogo político faz o prognóstico ser extremamente grave. E quanto mais longo for o conflito, mais difícil será o caminho para a paz e a eventual reconciliação”, avaliou Ban.

Annan defendeu que a crise não será resolvida com uma intervenção ou ações individuais. No entanto, também pediu que a comunidade internacional tenha vontade para agir com unidade. “É de nosso interesse compartilhado e nossa responsabilidade coletiva agir rapidamente. O processo não pode ter um final aberto. Quanto mais nós esperarmos, mais radicalizada e politizada a situação se tornará e mais duro será encontrar um acordo político.”

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, afirmou que “pessoas morrem enquanto conversamos”.

“Insto a comunidade internacional a se unir aqui na Assembleia Geral, assim como no Conselho de Segurança, a ter uma única voz para todos os sírios – incluindo Governo e oponentes armados – de forma a convencê-los a recuar da beira do abismo e começar negociações de um processo de paz para mudança. Haveria um custo terrível ao não fazê-lo.”

Presidente da Assembleia Geral, Nassir Abdulaziz Al-Nasser, lembrou que a credibilidade da ONU está em jogo. “Precisamos ser francos e orientados em resultados na discussão sobre a Síria. A vida de dezenas de milhares de sírios e a estabilidade da região estão em jogo.”