Síria: coordenador humanitário da ONU alerta para situação de crescente violência em Idlib

O coordenador humanitário das Nações Unidas, Mark Lowcock, alertou na terça-feira (18) o Conselho de Segurança sobre a crescente violência, destruição e disseminação do desespero entre moradores de Idlib, noroeste da Síria, onde pessoas estão presas em meio ao conflito armado. Ele afirmou que “um desastre humanitário está ocorrendo diante de nossos olhos”.

“Ao longo das últimas seis semanas, as hostilidades deixaram mais de 230 civis mortos, incluindo 69 mulheres e 81 crianças”, detalhou ao Conselho. “Centenas de pessoas ficaram feridas” e, desde 1º de maio, “estima-se que 330 mil pessoas tenham sido forçadas a deixar suas casas”. O número é quase o dobro do relatado no último briefing feito por Lowcock ao Conselho.

Cerca de 400 famílias se abrigavam em acampamento improvisado no norte de Idlib, Síria, após fugirem da violência no sul da cidade no começo de setembro de 2018. Foto: UNICEF/Aaref Watad

Cerca de 400 famílias se abrigavam em acampamento improvisado no norte de Idlib, Síria, após fugirem da violência no sul da cidade no começo de setembro de 2018. Foto: UNICEF/Aaref Watad

O coordenador humanitário das Nações Unidas, Mark Lowcock, alertou na terça-feira (18) o Conselho de Segurança sobre a crescente violência, destruição e disseminação do desespero entre moradores de Idlib, noroeste da Síria, onde pessoas estão presas em meio ao conflito armado. Ele afirmou que “um desastre humanitário está ocorrendo diante de nossos olhos”.

Lowcock deu um retrato sombrio da contínua violência envolvendo forças do governo sírio e seus aliados, forças armadas da oposição e a organização Hayat Tahrir al-Sham (HTS), classificada como terrorista pelo Conselho de Segurança.

“Ao longo das últimas seis semanas, as hostilidades deixaram mais de 230 civis mortos, incluindo 69 mulheres e 81 crianças”, detalhou ao Conselho. “Centenas de pessoas ficaram feridas” e, desde 1º de maio, “estima-se que 330 mil pessoas tenham sido forçadas a deixar suas casas”. O número é quase o dobro do relatado no último briefing feito por Lowcock ao Conselho.

Ele alertou que assentamentos para pessoas deslocadas na região estão sobrecarregados, e muitas estão sendo forçadas a dormir a céu aberto.

“Muitas pessoas estão em porões; buscando refúgio de ataques aéreos, bombardeios e tiros de morteiros, que continuam ameaçando o que sobrou de suas casas”, explicou Lowcock. “Hospitais, escolas e mercados foram atingidos. Estações elétricas foram afetadas. Plantações foram queimadas. Crianças estão fora das escolas”.

“Ataques contra civis e contra infraestruturas civis precisam acabar imediatamente”, afirmou.

ONU responde em diversas frentes

Lowcock detalhou a resposta diversificada das Nações Unidas, que fornece assistência alimentar de emergência e suprimentos de saúde e saneamento.

“Se este Conselho não tivesse renovado a resolução 2165” nada disso seria possível, disse Lowcock, em referência à medida de 2014 que aprovou a entrega de suprimentos “através de linhas de conflito” e de travessias fronteiriças.

No entanto, relatos de ataques que afetam infraestruturas civis continuam. Mais de 250 mil crianças estão fora das escolas; provas foram canceladas para cerca de 400 mil estudantes; 94 escolas estão sendo usadas como abrigos e muitos hospitais foram fechados por temores de ataques.

“Estes ataques não apenas ceifam vidas inocentes”, disse. “Eles também privam milhares de civis de serviços básicos de saúde”.

Ele explicou que alguns parceiros agora sentem que fornecer coordenadas geográficas “pinta um alvo em suas costas”, chegando à conclusão que “bombardeios em hospitais são uma tática deliberada para aterrorizar”.

“Não é apenas uma questão humanitária”

A violência no nordeste da Síria continua inabalável, conforme as partes no conflito tentam avançar militarmente, disse a chefe de Assuntos Políticos da ONU ao Conselho de Segurança, na terça-feira.

“Nossos incansáveis esforços para mediar uma solução política (…) não podem avançar em um ambiente de conflito aberto”, disse Rosemary DiCarlo. Segundo ela, esforços serão prejudicados se a Rússia e a Turquia não conseguirem sustentar um acordo de cessar-fogo e o Grupo de Astana não conseguir trabalhar em apoio ao enviado especial.

Ela afirmou que ataques aéreos, bombas de barril, munições de fragmentação, tiros de morteiro e artilharia estão sendo usados, deixando civis mortos e causando deslocamentos em massa.

Mirando o próximo encontro do G20, ela destacou a necessidade de um resultado diplomático em Idlib para que o processo político avance, pedindo para que participantes internacionais, especialmente a Rússia e a Turquia, “exerçam os esforços necessários para acabar com a violência e restaurar a calma”.

“Idlib não é apenas uma questão humanitária; também apresenta um grave risco à segurança regional”, destacou. “O povo sírio pagou um preço alto pelos fracassos da comunidade internacional em acabar com esta guerra”, disse.

“Mais da metade da população está deslocada e em situação de necessidade, mais de 5 milhões de refugiados estão incertos sobre quando será seguro voltar, centenas de milhares pagaram o preço com suas vidas, dezenas de milhares foram detidos, desapareceram, foram torturados”.

“Estabilizar a situação”

Enquanto isso, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu na terça-feira para a Rússia e a Turquia “estabilizarem a situação sem atrasos”.

Expressando sua profunda preocupação com o “agravamento do conflito em Idlib” e os perigos, “dado o envolvimento de um crescente número de atores”, ele destacou à imprensa que “mesmo na luta contra o terrorismo há necessidades de cumprir totalmente a lei internacional e direitos humanos e a lei humanitária”.