Síria: Conferência de paz deve ter membros do governo e da oposição, diz representante da ONU

Lakhdar Brahimi está visitando países do Oriente Médio para conseguir apoio à realização da conferência “Genebra II”. Segundo ele, todos os países percorridos até agora demonstraram interesse.

Família síria sendo registrada como refugiados em Wadi Khaled, no norte do Líbano. Foto: ACNUR/F. Juez

Família síria sendo registrada como refugiados em Wadi Khaled, no norte do Líbano. Foto: ACNUR/F. Juez

A conferência Genebra II, que pretende encontrar uma solução política para a crise na Síria, deve incluir representantes do governo e da oposição, observou o representante especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, em sua visita à capital Damasco nesta sexta-feira (1).

“A diferença entre Genebra I e Genebra II é que, em Genebra II, a Síria será representada por duas delegações, a primeira representando o governo sírio e a segunda representando a oposição”, explicou.

Nos últimos dias, Brahimi tem se reunido com autoridades de vários países, incluindo Egito, Iraque, Kuwait e a própria Síria com o objetivo de criar as condições necessárias para a realização da conferência.

“Todos os países visitados manifestaram interesse significativo em Genebra II por causa da grandiosidade da situação na Síria e o possível desfecho da crise, que está causando muito sofrimento para a população”, completou. “Todo mundo quer contribuir, de uma forma ou de outra, para os preparativos de Genebra II e pôr fim à crise na Síria.”

O objetivo da conferência é conseguir uma solução política para o conflito através de um acordo entre o governo e a oposição para implementar o comunicado de Genebra, adotado após a primeira reunião internacional sobre o assunto no dia 30 de junho de 2012.

O comunicado estabelece passos-chave no processo para acabar com a violência. Entre outros, ele indica a criação de um órgão de transição com plenos poderes executivos e composto por membros do atual governo, da oposição e de outros grupos.

Mais de 100 mil pessoas morreram e 6,5 milhões foram deslocadas desde o início do conflito sírio em março de 2011, quando forças da oposição tentaram derrubar o presidente Bashar al-Assad.