Síria: comboio de ajuda das Nações Unidas retorna a Ghouta Oriental

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Apesar dos enormes riscos, entrega humanitária completou o envio de alimentos planejado para 27.500 pessoas, assim como itens de saúde e nutrição, após a interrupção da semana passada em meio aos bombardeios. A ONU está à espera de autorização de acesso para cobrir todas as 70 mil pessoas em Douma, inicialmente aprovado pelas autoridades sírias.

A OMS alertou que ataques a instalações de saúde continuam: foram 67 nos dois primeiros meses deste ano, mais de 50% dos ataques em todo o ano de 2017; 19 pessoas morreram nesses ataques, incluindo quatro médicos.

Veículos de um comboio da ONU e da Cruz Vermelha Árabe da Síria com 46 caminhões que transportam ajuda alimentar, bem como suprimentos de saúde e nutrição, passam por Douma, em Ghouta Oriental, na Síria. Foto: UNICEF/Khabieh

Veículos de um comboio da ONU e da Cruz Vermelha Árabe da Síria com 46 caminhões que transportam ajuda alimentar, bem como suprimentos de saúde e nutrição, passam por Douma, em Ghouta Oriental, na Síria. Foto: UNICEF/Khabieh

As Nações Unidas e seus parceiros chegaram nesta sexta-feira (9) à cidade síria de Douma, em Ghouta Oriental, para concluir a distribuição da ajuda alimentar depois que intensos bombardeios impediram parte das entregas para o enclave destruído pela guerra no início desta semana.

“As Nações Unidas e nossos parceiros puderam voltar para Douma hoje para entregar a assistência alimentar restante”, disse Marwa Awad, diretora de Comunicações do Programa Mundial de Alimentos (PMA), falando de Damasco, a capital do país devastado pelo conflito.

A assistência consistiu em cestas de alimentos e sacos de farinha de trigo preparados pelo PMA e pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

O PMA e seus parceiros, como a CICV e o Crescente Vermelho Árabe da Síria, “aguardam para poder entrar novamente no futuro para continuar a prestar a ajuda humanitária e alimentar tão necessária às pessoas dentro de Ghouta Oriental”, acrescentou, ligando para em todas as partes no conflito para conceder aos agentes humanitários acesso seguro.

Na sede da ONU em Nova York, o porta-voz da organização Stéphane Dujarric disse a jornalistas que, enquanto o comboio estava em andamento, bombardeios ocorreram na proximidade das operações, apesar das garantias anteriores de segurança de todas as partes.

Apesar desses riscos, a entrega de hoje completou o envio de alimentos planejado para 27.500 pessoas, assim como itens de saúde e nutrição. A ONU está à espera de autorização de acesso para cobrir todas as 70 mil pessoas em Douma, inicialmente aprovado pelas autoridades sírias.

Em Genebra, a Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que houve um aumento acentuado dos ataques violentos aos serviços e profissionais de saúde na Síria.

“Todo ataque à saúde representa uma perda que destrói famílias e comunidades através de sistemas de saúde. Trabalhadores de saúde e instalações de saúde não são um alvo. Tem que parar”, disse Christian Lindmeier, oficial de Comunicação da OMS.

De acordo com um relatório divulgado pela ONU, 43 incidentes de violência contra instalações, serviços e trabalhadores de saúde foram relatados em fevereiro, dos quais 39 foram verificados por monitores externos e quatro ainda estão sendo verificados. Foram 31 incidentes no mês passado, dos quais 28 foram verificados.

No total, os 67 ataques verificados em instalações de saúde e contra trabalhadores nos dois primeiros meses deste ano representam mais de 50% dos ataques verificados em todo o ano de 2017, que totalizaram 112.

Dos incidentes verificados de fevereiro, 28 estavam em Ghouta Oriental, 10 em Idleb e um em Homs. Os ataques atingiram 20 hospitais, 16 unidades de saúde, duas estações de ambulância e um armazém de suprimentos médicos.

Estes ataques “inaceitáveis”, acrescentou a OMS, resultaram na morte de 19 pessoas, dentre elas quatro profissionais de saúde. Os ataques também deixaram 28 pessoas feridas, sete da equipe médica.


Mais notícias de:

Comente

comentários