Síria: chefe de direitos humanos da ONU volta a pedir investigação no Tribunal Penal Internacional

Alto-comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, disse que o conflito na Síria entrou em uma “nova fase de horror”. Além do “assustador derramamento de sangue” em Ghouta Oriental, a escalada da violência na província de Idlib coloca em risco cerca de 2 milhões de pessoas.

Alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein. Foto: ONU / Pierre Albouy

Alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein. Foto: ONU / Pierre Albouy

Na quarta-feira (7), o alto-comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, falou sobre a situação na Síria ao encerrar a 37a sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.

O conflito no país, disse, entrou em uma “nova fase de horror”. Além do “assustador derramamento de sangue” em Ghouta Oriental, que foi discutido em debate urgente na semana passada, a escalada da violência na província de Idlib coloca em risco cerca de 2 milhões de pessoas, informou.

Em Afrin, a ofensiva da Turquia também ameaça um grande número de civis. Pessoas em Damasco – a capital síria, controlada pelo governo – estão sofrendo uma nova escalada de ataques terrestres. E a ofensiva contra grupos extremistas resultou em perda de vidas civis em grande escala, afirmou Zeid.

“Mais de 400 mil pessoas foram mortas no conflito sírio e mais de 1 milhão de feridas, muitas feridas muito severamente; muitas crianças. Centenas de milhares de pessoas vivem sob cerco, a grande maioria impostas pelas forças governamentais e seus aliados”, informou o chefe de direitos humanos da ONU.

Mais de 11 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas. Dezenas de milhares de pessoas são detidas, frequentemente em condições desumanas, incluindo tortura; muitas outras sofreram com desaparecimentos forçados.

“Hospitais, escolas e mercados foram massivamente e, em alguns casos, deliberadamente danificados e destruídos: em 2017, um centro de saúde foi atacado a cada quatro dias”, alertou Zeid. “O meu escritório também documentou mais de mil ataques aéreos e ataques terrestres em 2017 e numerosas violações e abusos intoleráveis dos direitos humanos por parte de todas as partes no conflito: forças governamentais, suas milícias aliadas, atores internacionais e grupos de oposição armados – entre eles o ISIL.”

“É preciso lembrar como as violações maciças cometidas pelo governo da Síria e seus aliados locais, a partir de 2011, criaram o espaço inicial em que os grupos armados extremistas floresciam mais tarde. Lembre-se do Shabeehah?”, questionou.

“As recentes tentativas de justificar ataques indiscriminados e brutais contra centenas de milhares de civis pela necessidade de combater algumas centenas de combatentes – como no Ghouta Oriental – são legais e moralmente insustentáveis. Além disso, quando você está preparado para matar seu próprio povo, mentir também é fácil. As reivindicações do governo da Síria de que está tomando todas as medidas para proteger sua população civil são francamente ridículas.”

E acrescentou: “Neste mês, é Ghouta Oriental, que é, nas palavras do secretário-geral, o ‘inferno na Terra’; no próximo mês ou no mês seguinte, será em outro lugar onde as pessoas enfrentam um apocalipse – um apocalipse destinado, planejado e executado por indivíduos dentro do governo, aparentemente com o apoio total de alguns de seus apoiantes estrangeiros. É urgente reverter esse curso catastrófico e encaminhar a Síria ao Tribunal Penal Internacional”.