Síria: chefe de direitos humanos da ONU alerta para obrigação de proteger civis em Raqqa

As forças que lutam contra o grupo terrorista Estado Islâmico na Síria estão perdendo de vista sua obrigação de proteger civis, à medida que a batalha para retomar a cidade de Raqqa está sendo travada à custa de suas vidas, disse nesta quinta-feira (31) o alto-comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein.

“Certamente, o propósito de se derrotar o Estado Islâmico deve ser proteger e ajudar civis que sofreram sob seu regime assassino”, disse o oficial da ONU, em comunicado de imprensa.

Crianças e adultos sírios deslocados fogem de área rural controlada pelo Estado Islâmico em Raqqa. Foto: UNICEF/Delil Soulaiman

Crianças e adultos sírios deslocados fogem de área rural controlada pelo Estado Islâmico em Raqqa. Foto: UNICEF/Delil Soulaiman

As forças que lutam contra o grupo terrorista Estado Islâmico na Síria estão perdendo de vista sua obrigação de proteger civis, à medida que a batalha para retomar a cidade de Raqqa está sendo travada à custa de suas vidas, disse nesta quinta-feira (31) o alto-comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein.

“Certamente, o propósito de se derrotar o Estado Islâmico deve ser proteger e ajudar civis que sofreram sob seu regime assassino”, disse o oficial da ONU, em comunicado de imprensa.

“Dado o número extremamente elevado de informações sobre baixas civis neste mês e a intensidade dos ataques aéreos em Raqqa, juntamente com o uso de civis como escudos humanos pelo Estado Islâmico, estou profundamente preocupado com o fato de que civis — que devem ser protegidos em todos os momentos — estejam pagando um preço inaceitável e que as forças envolvidas na luta contra o Estado Islâmico estejam perdendo de vista o objetivo final desta batalha”, acrescentou.

As ofensivas aéreas e terrestres, realizadas pela coalizão liderada pelos Estados Unidos e pela força aérea russa em Raqqa, resultaram em grande número de vítimas civis. Embora seja difícil obter informações completas, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) conseguiu verificar 151 mortes civis em seis incidentes desde 1º de agosto de 2017, em cada um dos quais mais de 20 civis foram mortos.

“Quando os ataques aéreos bombardeiam Raqqa, cerca de 20 mil civis ficam presos ou arriscam suas vidas para fugir, e acabam confinados em campos improvisados ​​em áreas controladas pelas Forças Democráticas Sírias, liderada pelos curdos, em condições horríveis, até que longos procedimentos de segurança sejam concluídos, sem supervisão de como são tratados”, disse Zeid.

O alto-comissário pediu que todas as partes direta ou indiretamente envolvidas no conflito facilitem a saída rápida e segura dos civis que desejam deixar Raqqa e garantam a proteção daqueles que permanecem.

O ACNUDH também recebeu informações de que o Estado Islâmico está forçadamente recrutando civis em Deir-ez-Zor, incluindo crianças. “Quando Raqqa for retomada do Estado Islâmico, a próxima grande batalha será Deir-ez-Zor”, disse Zeid.