Síria: chefe da ONU diz estar ‘profundamente perturbado’ com denúncia de ataque químico

Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) está atualmente no processo de coleta e análise de informações para confirmar se as armas químicas foram efetivamente usadas. Segundo as primeiras informações da imprensa, pelo menos 58 pessoas morreram no ataque, incluindo crianças. Nessa semana, nova rodada de negociações políticas acontece em Bruxelas para tentar encerrar conflito, que já entrou em seu sétimo ano.

Crianças em meio a escombros e prédios destruídos. Elas caminham para uma escola particular próxima que oferece lições básicas, na cidade de Maarat al-Numaan, na província de Idlib. Foto: UNICEF/Giovanni Diffidenti

Crianças em meio a escombros e prédios destruídos. Elas caminham para uma escola particular próxima que oferece lições básicas, na cidade de Maarat al-Numaan, na província de Idlib. Foto: UNICEF/Giovanni Diffidenti

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse nessa terça-feira (4) estar “profundamente perturbado” pelos relatos de um suposto uso de armas químicas em um ataque aéreo na área de Khan Shaykhun, no sul de Idlib, na Síria.

Numa declaração feita por seu porta-voz, o secretário-geral expressou as suas condolências às vítimas e às suas famílias.

Ele observou que o Conselho de Segurança da ONU afirmou que o uso de armas químicas “constitui uma grave violação do direito internacional” e contraria resoluções aprovadas pelo órgão de 15 membros.

Embora a ONU tenha dito que não está em posição de verificar esses relatos de forma independente, a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) está atualmente no processo de coleta e análise de informações para confirmar se as armas químicas foram efetivamente usadas.

Segundo as primeiras informações da imprensa, pelo menos 58 pessoas morreram no ataque. Na região havia muitas crianças, relatou a imprensa internacional.

A OPAQ é o órgão de implementação da Convenção sobre Armas Químicas, cujo objetivo é eliminar toda uma categoria de armas de destruição em massa, proibindo o desenvolvimento, a produção, a aquisição, o armazenamento, a retenção, a transferência ou a utilização de armas químicas pelos Estados Partes da Convenção.

Entretanto, a Comissão de Inquérito sobre a Síria acrescentou o seu apoio à missão de coleta de dados da OPAQ. Estabelecida pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, a Comissão trabalha para investigar se os abusos de direitos humanos ocorreram na Síria desde março de 2011, bem como identificar os responsáveis.

Na sua declaração, a Comissão pediu “apoio total” à missão de inquérito e ao mecanismo de investigação conjunto independente.

“É imperativo que os perpetradores de tais ataques sejam identificados e responsabilizados”, disse a Comissão, acrescentando que também está investigando as circunstâncias do ataque.

“Tanto o uso de armas químicas quanto o ataque deliberado contra instalações médicas equivaleria a crimes de guerra e violações graves da lei de direitos humanos”, disse a Comissão.

‘Conversações na Síria continuam, mas obstáculos permanecem’, diz enviado da ONU

A última rodada de diálogo facilitado pela ONU sobre o conflito na Síria foi concluída na sexta-feira (31), em Genebra, em meio a muita seriedade e engajamento das partes envolvidas, mas muitos obstáculos permanecem. A informação é do enviado especial da ONU para o país, Staffan de Mistura.

Quando as conversações entre o governo sírio e as delegações da oposição começaram, na semana passada, Mistura havia dito que não esperava “milagres, rupturas e avanços”. No entanto, ele disse esperar construir em cima das etapas anteriores alguns passos novos e construtivos.

“Ninguém pode negar que há sérios desafios ainda, e eu não estou vendo isso imediatamente se transformando em um acordo de paz”, disse a jornalistas em Genebra.

Enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, atualizando a imprensa sobre o último dia das conversações sírias em Genebra. Foto: ONU / Violaine Martin

Enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, atualizando a imprensa sobre o último dia das conversações sírias em Genebra. Foto: ONU / Violaine Martin

“Em todas as negociações, há certas questões que precisam ser preparadas e discutidas antes da verdadeira negociação de paz acontecer. Nós ainda não estamos lá”, acrescentou.

De acordo com Mistura, durante as conversações, as partes abordaram todas as questões sobre a mesa, incluindo a transição política; a integridade nacional; a luta contra o terrorismo; e as medidas de confiança.

“Há verdadeiros desafios no terreno, estamos os vendo diante de nossos olhos. Mas sejamos francos: apesar deles, ninguém ameaçou sair e todos foram sérios em perseguir seus pontos de vista”, destacou o alto funcionário da ONU.

Mistura disse que todas as partes concordaram com a próxima rodada de negociações, mas os detalhes só devem ser decididos depois que ele se dirigir a Nova York, nessa semana, onde buscará orientação do secretário-geral da ONU e do Conselho de Segurança.

“Entretanto, nos dias 4 e 5 de abril, ocorre uma conferência internacional sobre a Síria e a região, em Bruxelas, uma ocasião em que a comunidade internacional terá maior clareza sobre assistência humanitária e esforços de reconstrução do país”, frisou.