Síria: Cessar-fogo pode se fragilizar, diz enviado da ONU no 1º dia de retomada dos diálogos de paz

Incidentes ameaçam cessação de hostilidades no país. Força-tarefa trabalha para conter violações da trégua. ONU quer que negociações garantam a transição política, a criação de uma nova governança e o estabelecimento de uma nova Constituição.

Em novembro de 2014, crianças sírias brincavam na rua de Alepo, lar de mais de um milhão de deslocados internos. Foto: ACNUR/B.Diab

Em novembro de 2014, crianças sírias brincavam na rua de Alepo, lar de mais de um milhão de deslocados internos. Foto: ACNUR/B.Diab

Na quarta-feira (13) – primeiro dia da retomada dos diálogos de paz da Síria – o enviado especial da ONU para o país, Staffan de Mistura, chamou atenção para incidentes entre as partes do conflito que ameaçam fragilizar o cessar-fogo já acordado e mantido desde 27 de fevereiro.

Ao longo do dia de recomeço das discussões, o representante da ONU se reuniu com o Alto Comitê de Negociações, composto por integrantes da oposição síria. De acordo com o enviado especial, a delegação do governo chegará a Genebra na sexta-feira (15) e deverá ser liderada novamente pelo embaixador sírio nas Nações Unidas, Bashar Ja’afari.

Mistura informou que a força-tarefa humanitária do Grupo Internacional de Apoio à Síria (ISSG) trabalharia de forma “muito ativa” na quinta-feira (14) para resolver os episódios de violação da trégua, garantindo que eles sejam contidos.

As operações “serão bastante apropriadas, justamente porque precisamos garantir que, se incidentes na cessação de hostilidades foram repetidos muito frequentemente, eles poderiam ao menos deteriorar o espírito (da trégua) e a confiança”, explicou Mistura.

Para o enviado especial, o atual cessar-fogo “dá esperança ao povo sírio, porque é o que o faz acreditar que, de fato, mesmo que eles (os cidadãos) tenham que esperar pelos diálogos, suas vidas estão, ao menos, melhores (do que antes)”.

Segundo Mistura, os três pontos principais da agenda que serão discutidos nessa nova rodada de negociações são a transição política, a criação de uma nova governança e o estabelecimento de uma nova Constituição para o país.

Nas últimas semanas, Mistura viajou à Rússia, Jordânia, ao Irã e à própria Síria. Representantes dos governos de todos esses países expressaram interesse e apoio à busca por um processo de transição política. O enviado afirmou que nenhuma autoridade “expressou qualquer dúvida quanto ao fato de que a prioridade” são os pontos da agenda destacados pelo enviado e previstos na resolução 2254 do Conselho de Segurança.