Síria: Avanço na emissão de vistos para agentes humanitários e acesso a áreas remotas é ‘modesto’

Coordenadora humanitária da ONU relata a Conselho de Segurança que é preciso ampliar esforços de ajuda já que cerca de 250 mil sírios ainda estão sitiados por causa conflito armado.

Refugiados sírios aguardam registro no Líbano. Foto: ACNUR/M. Hofer

Foi “modesto” o progresso com o Governo sírio para acelerar a emissão de vistos e em aumentar o número de centros de distribuição de ajuda humanitária, informou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas nesta terça-feira (3) a subsecretária-geral para Assuntos Humanitários, Valeria Amos.

Estima-se que 250 mil sírios estejam sitiados e é necessário ampliar os esforços de assistência, acrescentou a também coordenadora humanitária.

Esta foi a segunda reunião a portas fechadas com o Conselho de Segurança desde a adoção, em 2 de outubro, de uma Declaração Presidencial pedindo ao governo sírio que permitisse imediatamente acesso humanitário para aliviar o sofrimento de civis encurralados pelos conflitos, incluindo a distribuição em áreas na linha de fogo.

O documento, que pedia para que todas as partes no conflito acordassem cessar-fogos humanitários, com especial atenção a rotas-chave de distribuição de ajuda, também lamentava a escalada da violência no conflito que já matou mais de 100 mil pessoas e deslocou outras 6,5 milhões desde março de 2011.

Amos relatou progresso na decisão do governo de conceder 50 vistos em uma base individual. Damasco também deu permissão ao Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) para abrir três centros adicionais de distribuição de ajuda humanitária. Para a subsecretária-geral, no entanto, “apenas dois deles nos vão ser úteis de verdade porque a proposta do terceiro – Al Sweida – não vai nos permitir chegar ao oeste de Dera’a, onde as comunidades de díficil acesso estão”.

A coordenadora humanitária ressaltou que tanto o governo quanto a oposição indicaram à ONU quem seriam os interlocutores para facilitar o acesso humanitário. “Entretanto, lembrei ao Conselho que em algumas das áreas mais difíceis – proteção de civis, desmilitarização de escolas e hospitais, acesso a comunidades sitiadas e também cruzamento de linhas de fogo para áreas difíceis de alcançar – não vimos progresso algum.”

“Preciso que o Conselho continue deixando absolutamente claro que atacar civis é contra o direito humanitário internacionais e que precisamos trabalhar mais para garantir que as recomendações na Declaração Presidencial sejam alcançadas”, declarou Amos.