Síria: 29 mil sírios passam fome em campo para deslocados pela guerra, diz ONU

Crianças no campo de Rukban. Imagem de novembro de 2018. Foto: OCHA

A fome já é uma realidade num campo com 29 mil pessoas deslocadas pela guerra na Síria, localizado próximo à fronteira com a Jordânia. A denúncia foi feita nesta quinta-feira (16) pela conselheira humanitária sênior da ONU para o território sírio, Najat Rochdi, que alertou para a escassez de serviços e mantimentos básicos.

O acampamento de Rukban, no sudeste da Síria, não recebe entregas de assistência desde fevereiro. A falta de produtos e bens essenciais levou 12 mil sírios a deixarem o assentamento. “A ONU continua a pedir um terceiro comboio humanitário e a pedir que alimentos e combustível cheguem a Rukban pelas estradas comerciais”, afirmou Najat em coletiva de imprensa em Genebra.

O autoridade das Nações Unidas também chamou atenção para a conjuntura em Idlib, no noroeste sírio, palco de novas ondas de violência. Najat condenou duramente o alvejamento de civis em escolas e centros de saúde. Algumas instalações atingidas por bombardeios e ataques aéreos recentes já haviam sido transferidas de edifícios justamente por terem sido atingidas em ataques anteriores.

Idlib é o lar para aproximadamente 3 milhões de sírios. Desse contingente, 1 milhão são crianças. Devido ao recrudescimento dos confrontos, milhares de crianças estão fora da escola e famílias estão se abrigando debaixo de árvores.

“Bombardeios aéreos, incluindo o suposto uso de bombas de barril, que causam dano severo às infraestruturas civis e mortes e ferimentos entre civis, é uma prática que vai contra cada um dos princípios humanitários”, afirmou a dirigente. “Também alarmante é o suposto bombardeio (vindo) da zona de desescalada (do conflito) para áreas sob controle do governo.”

Os últimos números sobre deslocamento apontam que mais de 180 mil pessoas teriam abandonado as suas casas em Idlib. Para muitas dessas pessoas, essa não foi a primeira vez em que foram forçadas a deixar suas residências devido à guerra. A maioria teria avançado rumo ao norte ou leste do país, de acordo com a oficial da ONU, enquanto outros foram para Alepo.

“Pessoas fugindo por causa de medo e por causa dos bombardeios são a cruel realidade diária”, disse Najat. “Mas agora, se os bombardeios continuam, para onde você quer que elas fujam? Elas já fugiram para lá como um último recurso. Para onde é que elas conseguirão ir?”

A dirigente pediu a desescalada das tensões em Idlib e solicitou um compromisso renovado das partes em conflito com o acordo de cessar-fogo na região, em particular a Rússia e a Turquia.

“A insegurança lá e os contínuos ataques aéreos não são algo que seja propício à entrega de assistência humanitária”, afirmou Najat, que lembrou que em torno de 12 ONGs suspenderam temporariamente a entrega de ajuda devido à violência.